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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Dear Wilhemina

Tiago Moreira Ramalho, 15.11.10

Tornámo-nos, pela força das circunstâncias, que não divulgamos, leitores da publicação de regularidade mensal Prospect. O leitor mais atrevido está a sussurrar ao ecrã a pergunta que me faria a mim, caso a pudesse sussurrar a mim - «porquê?» Ora, achamos que este tipo de leitor, de duas uma, ou nunca leu a Prospect, o que nos faz temer pela sua qualidade de vida, ou, tendo lido, não percebeu a maravilha britânica que tinha na mão, o que nos faz experimentar o lamento profundo. Entendamos isto: os ingleses são um povo superior e as revistas inglesas estão cá para o demonstrar.

Existe uma página nesta revista, uma página em particular, que nos faz maldizer o destino que nos plantou aqui, tão longe da ilha. É a última. Trata-se do consultório da «tia Wilhemina», senhora assaz feia que aconselha ao mundo anglo-saxónico as melhores formas para tornar a vida, no mínimo, sofrível. Nesta edição temos um exemplo maravilhoso. Uma senhora confessa ter enganado o seu namorado na idade, pois, sendo mais velha que ele, não queria que ele soubesse. Anos depois, a mentira mantém-se, à custa de uma série de peripécias ocultadas, mas sucede que o namorado faz cinquenta anos e quer fazer uma grandiosa festa com a sua mais-que-tudo, que, supostamente, também os faz. A senhora, em desespero, manda um e-mail à tia, que, na primeira linha da resposta, cospe um brilhante: «I’m torn between pity and admiration». Apesar de feia, a tia bem que podia casar-se comigo. E não precisava de me mentir na idade.

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