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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

O Churchill é que era, e o catano; sobretudo porque sabemos pouco do que fez

Rui Passos Rocha, 17.11.10

Um gajo passa dias a estudar as atitudes políticas dos portugueses, como estão insatisfeitos e desafectos e tal, e lê teorias sobre o afastamento progressivo dos representantes em relação à sociedade, bem como dos eleitores em relação aos partidos. Há a percepção crescente de que os partidos do sistema são praticamente iguais; ou, na Europa, que não são como os partidos do pós-guerra, integradores e perfeitamente antitéticos. Obviamente, se esse gajo se ficar por aí vai concluir que shit happens: a sociedade mudou, os partidos adaptaram-se, a representação é diferente e as atitudes negativas são irremediáveis. Depois, o mesmo gajo vai ler sobre a comunicação social independente, sobre como ela molda atitudes, e poderá concluir cancioneiramente que gente como o José António Cerejo está a contribuir para o desgaste da política, para o anti-partidarismo, e merecia ser processada a bem da nação; ou então conclui que, porra, a esquerdice deveria ficar reconhecida porque finalmente a prática elitista de checks-and-balances é complementada pelo olhar atento do eleitorado, via imprensa. Há descontentamento porque há informação. Melhor democracia é um cidadão comum, de nome Luís M. Jorge, fazer um post a encaminhar olhares para mais um caso de clientelismo. Só lhe falta mesmo - para receber um subsídio meu - começar a falar de patronagem (parece que, apesar de tudo, somos os menos clientelistas da Europa do Sul) ou de cartelização (esta é para quem está a seguir o debate sobre a nova lei do financiamento aos partidos).