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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Paredes de vidro

Tiago Moreira Ramalho, 19.11.10

Durante uns dias optei por não ler. Acontece que li sobre o assunto e, deparado com visões contraditórias, e para tirar qualquer dúvida, lá fui ao Correio da Manhã procurar a notícia sobre o que andou Edite Estrela a dizer dos seus colegas do Parlamento Europeu.

Objectivamente, aquilo é um exemplo acabado do que não é jornalismo. A divulgação despudorada de uma simples conversa entre dois amigos, uma conversa que, a atentar no conteúdo da notícia, não tem qualquer tipo de relevância para a coisa pública, é simplesmente repugnante. Edite Estrela não gosta de quem a acompanha? Seja ou não verdade, dificilmente será notícia. Supomos que a senhora Tânia Laranjo, a autora do texto, também não morrerá de amores por todos os seus coleguinhas de redacção. Digamos que só um jornal com uma linha editorial com um grau de inteligência (e não só) ao nível de uma amiba poderá considerar realmente que pequenas intrigas em grupos de trabalho têm relevância jornalística.

O problema é que enquanto este tipo de «produto» for procurado, dificilmente desaparecerá. Dificilmente se resolve com a lei aquilo que vem do costume. E é do costume que se vasculhe a vida alheia até à exaustão. Até que, um dia, a febre nos leve a demolir cada prédio e a colocar, em substituição, outros com paredes todas em vidro.

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