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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Facilidades

Tiago Moreira Ramalho, 22.12.10

O Salário Mínimo, mais que um problema económico, que o João Miranda faz o favor de enunciar nos termos certos, é um problema de Política. Daquela a sério. Leva-nos a pensar no significado da liberdade contratual, o qual parece bastante flexível porquanto o Estado diz, sim, são livres de contratualizar, mas calma lá. E podem vir todos pimpões dizer que este não é caso único, que não me fazem cair uma pestana – um princípio violado muitas vezes não deixa de ser um princípio. Leva-nos, também, a pensar na forma como o Estado se julga competente para dizer à população qual é a forma digna de viver, o patamar mínimo merecedor de respeito – em Portugal, pelos vistos, a vida com dignidade surge aos quinhentos euros mensais por membro activo do agregado familiar. Claro que aqueles que trabalham por conta própria, na sua tensão empregador-empregado, esquizofrenia poderosa, deveriam ser processados caso não gerassem tal rendimento. Afinal, os trabalhadores não podem ser explorados – nem por si próprios. E, por fim, é uma máscara. O Salário Mínimo é a máscara que faz com que os salários de um país não tenham uma distribuição normal, mas sim uma aberração de cauda levantada na base. Uma máscara que funciona de jeito igual às toneladas de subsídios sociais (estes, confesso, fazem-me menos comichão que o Salário Mínimo). É muito mais fácil impor por decreto o fim da pobreza que criar os decretos necessários para que ela finde naturalmente ou para que pelo menos se reduza de forma sustentável. E, afinal, para quê estarmo-nos para aqui a cansar?

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