Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Co-produções

Bruno Vieira Amaral, 27.12.10

Não vejo muita televisão, mas, impelido por uma força exterior ignota, não resisto a uma co-produção, sobretudo se for europeia. Quem não fica com água na boca ao imaginar o resultado dos esforços conjuntos dos melhores sonoplastas húngaros, das mais competentes maquilhadoras romenas e dos rigorosos produtores austríacos? Ainda melhor é quando juntam actores que não falam a mesma língua, numa Babel caótica e colada com o esperanto da dobragem. O elenco pode incluir Hans Morgenstern, Eva Kňồsèc e João Lagarto, numa sucessão multicultural de estrelas desconhecidas. Lá pelo meio, um nome reconhecível, capaz de por si só justificar a expressão “à frente de um elenco de luxo”. Era esse o papel de Omar Shariff em séries da RAI, como Pavilhões Distantes. No caso de Os Pilares da Terra, mini-série de co-produção germano-canadiana (é favor evitar piadas bélicas), o credor de prestígio é Donald Sutherland. Baseada no portentoso romance de Ken Follett, que eu, há coisa de cinco anos, não li, a série acompanha Tom, o Construtor, um antepassado do Bob, que tem a pancada de construir uma catedral. Houve um momento em que tremi de emoção benfiquista, quando Tom, ao apresentar o seu projecto ao prior, fala de uma catedral de luz e eu percebi A Catedral da Luz. Para quem não sabe, a história passa-se na Idade Média, com gente muito miserável e andrajosa (mas de dentição perfeita), monarcas pérfidos e monges sodomitas. Há envenenamentos e incêndios em mosteiros, mas quem pensar em O Nome da Rosa cheira mal. No final do episódio de ontem, havia boas perspectivas para se iniciar a construção da catedral, que deverá terminar, não sem centenas de peripécias emocionantes, lá para o oitavo e último episódio.

1 comentário

Comentar post