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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Os pés de Freire

Bruno Vieira Amaral, 07.01.11

Acho que André Freire é politólogo. Ou cientista social. Ou professor Pardal. A juntar a estas desgraças, é apoiante de Manuel Alegre. O argumentário varia entre a bruxaria estatística e probabilística, que é a especialidade do autor, os gritos em defesa do Estado Social, severamente ameaçado por uma possível reeleição de Cavaco Silva (acabou-se o mantra do "Vem aí o fascismo"), e a utilização injustificada de reticências, deixando ao leitor espaço para adivinhar o pensamento que se esconde nos três singelos pontinhos (serão suspiros? Pausas em memória do Estado Social? Iliteracia? Parkinson?). Diz-nos o analista que “na 1ª volta pode "votar-se com o coração" (p. ex. os PCs no Francisco Lopes) ou "votar com os pés" (p.ex. os anti-establishement no Fernando Nobre)... essa é a lógica das duas voltas.” Lá estão as misteriosas reticências que teimam em aparecer no texto de Freire. Estamos mesmo perante um caso de incontinência reticente. Adiante: depois de se votar com o coração ou com os pés, passando o candidato Alegre à 2ª volta, supõe-se que, para evitar a vitória de Cavaco e a consequente derrota do Estado Social, o povo português tenha de votar com uma parte menos graciosa da sua anatomia. Risco que Freire não corre porque “Eu, naturalmente, votarei simultaneamente com o coração e com a cabeça em Alegre... e estou convicto que uma segunda volta é possivel...” Ah, a razão e o coração que tão boas recordações nos trazem! Conclui Freire: “E, nesta pré-campanha, Alegre tem estado muito bem (duelo com Cavaco na TV, entrevista hoje, entrevista à Visão hoje, muita mobilização nos jantares, casos q.b. bem direccionados, etc.).” Estranhei que Freire não utilizasse os pés para votar. Perguntei-me para que serviriam, então, os pés de Freire? Compreendi, com alguma tristeza, que os poupa para alinhavar opiniões como esta, próprias de quem não tem a cabeça no lugar.

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