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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

À falta de microscópio...

Rui Passos Rocha, 04.02.11

Não tenho, sosseguem, problema nenhum com sociólogos politizados publicamente. Não acho que falte discernimento no trabalho de André Freire ou de Boaventura Sousa Santos - bem pelo contrário, aliás. O que acho - e quanto a isso peço-vos o cuidado de não me penetrarem por trás sem o meu prévio consentimento - é que tem tanto mais mérito quem menos entrevê as respostas às suas perguntas no início da investigação. Porque procura alcançar algo superior a si; porque, olhem só, quer investigar. E merdas dessas parecem-me ausentes nos dois casos. Por exemplo, Freire decidiu em 2003 legar ao mundo um paper onde descreve quão voláteis (e consentâneas com o desempenho económico do país) são as atitudes políticas dos portugueses e conclui, assim do nada, que é «urgente» reformar o sistema eleitoral para um mais proporcional. Porquê? Porque sim; porque é mais democrático; porque, percebe-se, assim os pequenitos sobem mais. Por sua vez, em entrevista ao Jornal de Letras (as merdas que eu leio), Boaventura convidou a Europa a olhar-se ao espelho, que espero não seja o seu, já que se diz «cientista» apesar de, tal como Freire, ser um socialista à Bloco (o Eugénio Rosa pelo menos trabalha para a CTGP). Segundo Boaventura, «o mal foi o positivismo ter acoplado a ideia de neutralidade (que confunde com a de objectividade) à ideia de especialização e de profissionalização». O tema merece debate; entretanto, passo a chamar «cientista» à Alexandra Lucas Coelho e a metade da redacção do Expresso.