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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Abutres e outras cenas assim

Rui Passos Rocha, 06.02.11

Cícero disse duas coisas importantes. Eu sei, eu sei; terá dito mais, mas agora só me interessam duas: que «um mentiroso não é acreditado mesmo que diga verdade»; e que «a falsidão está tão perto da verdade que um homem sensato faria melhor em não caminhar constantemente junto a esse declive». Sócrates também falou de umas coisas, como a maiêutica e assim. Mas como entre ele e Cícero o diálogo seria pouco mais do que surdo, que raio quero eu com isto? A não ser que isto seja sobre o outro Sócrates; esse mesmo, o do Magalhães. Este é que teria a aprender com Cícero. Por exemplo ontem ficou evidente que, no caso de José Sócrates, mentir permanentemente está a fazer com que diga coisas absurdas. Coisas como «não haverá despedimentos na função pública, ao contrário do que pedem os abutres da direita, que nós, esquerda esquerdaça, combatemos em nome do Estado Social e do direito dos velhinhos de não serem atacados por lobos de noite». Como é que eu sei que haverá despedimentos? Não sei, mas não é com uma bola de cristal que meço isto. É muito simples: o próprio sindicato, perdão, a própria corporação da função pública, encabeçada por Bettencourt Picanço (um nome ao mesmo tempo aristocrático e pueril, coisa curiosa), veio a público rejeitar o dito do primeiro-ministro e dizer que não é inconstitucional despedir na função pública. Se, amigo Zézito, a diferença entre o que diz e o que faz continuar a dilatar-se assim não haverá propaganda que lhe valha.

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