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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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A brutalidade rural

Tiago Moreira Ramalho, 07.02.11

O Público de hoje nomeia, quando possível, as quarenta e três mulheres que, ao longo de 2010, morreram por violência doméstica. Além de as nomear, ainda apresenta uma série de dados estatísticos sobre as mortes. Um deles é francamente revelador do quão errados estamos, tantas vezes, sobre a nossa terra. Quando se distribuem as mulheres pelo mapa do país, notamos que, grosso modo, só se morre de violência doméstica nos grandes centros urbanos. Não há mulheres assassinadas em Beja, em Évora, em Bragança ou na Guarda. As mulheres morrem em Lisboa, em Setúbal, no Porto e em Coimbra. É o país avançado, civilizado, moderno a viver em pura barbárie, enquanto os nossos saloios, os nossos rednecks, apesar de tudo, conseguem dar uma lição a todos os outros. Nas brutais aldeias rurais, pobres, desdentadas e com sotaque, os homens e as mulheres, com todos os seus problemas, vivem, pelo menos, atrás da morte. Antes de lhes apontarmos o dedinho «educador», devíamos pedir-lhes umas orientações.

7 comentários

  • Não entendes o ponto. Mesmo que siga tendências demográficas, o argumento mantém-se. Não houve uma única mulher morta nos distritos do interior. Uma única. Quando se diz que o interior é atrasado, que as famílias funcionam de forma retrógrada, etc. Em termos absolutos é revelador, em termos relativos, também.
  • Sem imagem de perfil

    RPR 07.02.2011

    Eu sei. O que estou a dizer é que 43 não serve para grande coisa estatisticamente.

    A AML e a AMP juntas têm uns 3 milhões de habitantes. Portanto, se tiveres 1/3 de mulheres mortas nesta área não é de admirar. Viseu? Talvez devesses ter uma morta lá, para a coisa reflectir a distribuição geográfica.

  • Eu só estou a afirmar que, ao contrário do que tantas vezes se diz, a 'cidade' não é grande modelo para a 'serra'. Mesmo havendo uma amostra pequena, podes pelo menos inferir que a 'serra' não é tão brutal quanto se diz e que a 'cidade' não é assim tão civilizada. Porque o facto é que, e aqui não há estatística, nem uma mulher morreu no interior. Se tivesse havido mortes em todo o lado, poderias depois inferir coisas pelos pesos relativos. Mas é que nem uma morreu. E isto é significativo, diga-se o que se disser...

    Mas se quiseres ir por aí, fortaleces o argumento. No conjunto Porto, Lisboa e Setúbal (AMP e AML) morreram 53% das mulheres.
  • Sem imagem de perfil

    RPR 07.02.2011

    Repara que apenas estou a dizer que tens uma amostra demasiado curta para conclusões que sejam mais do que especulativas.

    Posto isto, os tais 53% são reveladores de algo que, se se verificou nos anos anteriores também, pode dar uma boa tese cesario-verdiana (ó caralho, onde me meti) sobre a cidade e o campo. 1/3 da população nas AML e AMP; 1/2 das mortas lá. Isto pode ser significativo.
  • O Tiago tem razão, caro RPR. Para o ano de 2010, note-se que as 43 mulheres não são uma amostra representativa, mas a totalidade de mulheres assassinadas. Ora, a totalidade é a totalidade. E se não há casos fora dos grandes centros urbanos, das duas uma: ou não acontece por lá, ou este foi um ano muito anormal nesse aspecto (o que é bastante improvável, dado que até foi o ano com mais mortes desde que há registos).

  • Sem imagem de perfil

    RPR 07.02.2011

    Daí eu pedir mais dados (os de outros anos)
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