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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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O que sei sobre o Egipto [3]

Rui Passos Rocha, 07.02.11

Um senhor de nome Mário Bacalhau (não, isto não vai correr mal; ou pelo menos se correr será por outro motivo) lançou há uns tempos valentes um livro sobre as atitudes políticas dos portugueses desde 1973. Sim, 1973. E o que concluiu, entre outras coisas, foi que a população era muito favorável a reformas democráticas. E a revolução aconteceu, mas teve de ser despoletada pelos capitães descontentes. A democracia fez democratas. O que está a acontecer no Egipto pode ser o inverso (democratas a fazerem uma democracia), se for verdade o que disse há tempos Charles Kurzman numa conferência em Lisboa: que as atitudes políticas dos árabes em países, vá, árabes são praticamente tão pró-democráticas quanto as dos ocidentais. E isto é assim para perguntas gerais, mas também para as mais miudinhas. Partindo disto, talvez seja possível criar paralelismos entre o Egipto e Portugal: tal como Marcello Caetano, também Mubarak só sairá se empurrado pelos militares (cujos vencimentos aumentou) e para o exílio; El Baradei será o Mário Soares, o líder pró-democrático do sítio; mas também haverá um Cunhal, o tipo da Irmandade Muçulmana (acho que é assim que se chama). Falta é saber se entre os militares há capitães de Abril, ou de Fevereiro, ou de Março; militares menores descontentes com o desnível salarial da corporação e influenciados por uma ideologia democrática, liberal ou iliberal.

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