Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Forma e conteúdo

Rui Passos Rocha, 18.02.11

O problema do estilo versus substância é particularmente importante no caso de músicas de intervenção, como a dos Deolinda. A arte (no caso, a música) é tanto melhor quanto melhor for a descrição que faz de um ou mais objectos; a ciência, pelo contrário, é tanto melhor quanto mais distanciado estiver o observador do(s) seu(s) objecto(s) de estudo. Como disse António Damásio a uma das últimas LER, «a ciência e a arte, no fundo, têm a mesma finalidade», explicar algo. «A diferença é que na arte cria-se um objecto e na ciência tenta-se descobrir como é que o objecto funciona e está estruturado». Como? Com distanciamento, com a comparação do objecto com outros que se assemelhem, com sistematização e método. Normalmente é a arte que descobre e descreve algo e abre a porta a que a ciência o explique. A arte é mais forma do que conteúdo; a ciência é conteúdo antes de forma. Autores como David Foster Wallace fazem óptima arte porque se preocupam com o conteúdo («Probably the most dangerous thing about an academic education–least in my own case–is that it enables my tendency to over-intellectualise stuff, to get lost in abstract argument inside my head, instead of simply paying attention to what is going on right in front of me, paying attention to what is going on inside me»); e cientistas como Hans Rosling fazem óptima ciência porque se preocupam com a forma (ver aqui um e outro exemplos).

1 comentário

Comentar post