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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Grandes coligações

Tiago Moreira Ramalho, 15.04.11

Discute-se, pelos cafés, restaurantes, barbeiros, cabeleireiros, lojas de comércio tradicional, grandes centros comerciais, táxis, ruas, bairros inteiros, a possibilidade, não, a inevitabilidade de uma grande coligação à esquerda, à direita, à frente, atrás, em cima, em baixo, enfim – a gente quer é molhada. Pois eu, na minha possível, não, inevitável falta de capacidade para compreender estas coisas da Cidade e da Política, não vejo pontinha dessa possibilidade que pelos vistos, não, é inevitável.

Não sei onde é que o povo que me rodeia e ao qual pertenço tem andado recentemente, mas, quer dizer, não sei, se calhar não estou, como se diz, a ver bem a coisa, mas é sequer concebível que um ser como José Sócrates possa voltar sequer a pisar solo político em Portugal? O homem que se passeou em quase todos os governos dos quase vinte anos que passaram desde que apareceu pela primeira vez e, em cada momento, teve como único propósito a sua própria caminhada para o estrelato de um lugar que nesta terra, queiramos ou não, não foi feito para estrelas mas para pedras simples, das que não luzem, porque não tem luz para luzir. O homem que nunca por nunca admitiu uma simples nódoa na sua imaculada governação, vociferando aos quatro ventos que a culpa era da coligação negativa, das agências de Rating, da especulação estrangeira, dos ataques dos mercados, das moscas que o aborreciam, das borboletas que batiam as asas, das ondas que rebentavam, do Sol que queimava, da nuvem que o tapava, da caneta que não escrevia, do homem da câmara que não o ajudava. O homem que, resumidamente, é o responsável pelo estado atrofiado de uma sociedade que, sendo certo que nunca teve grande esperteza, nunca foi tão simplesmente drogada por um discurso teatral, nasalado, oco e, mais do que tudo, irresponsável. Não me parece nada bem, mas não vão por mim, que eu sou muito novinho.

Objectivamente, se Pedro Passos Coelho estabelecer qualquer tipo de acordo pré-eleitoral com José Sócrates pode ficar descansado, que haverá menos um português a entregar-lhe o peso da responsabilidade de nos tirar da merda.

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