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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Não é não

Tiago Moreira Ramalho, 07.05.11

Comprei na Feira do Livro, por uns manuseados cinco euros, um livrinho de que me falavam havia tempo – «Não é fácil dizer bem» do João Pedro George. Crítico de livros e de literatura e, dizem, dos bons. Acredito piamente, porque, como sabemos, qualificativos desta natureza («bom») não se atribuiriam nunca, mas nunca, caso não houvesse correspondência com a verdade. Se é certo que tem, no meio daquelas dezenas, alguns textos de franca qualidade, como «A Metamorfose», «Editoras e Críticos Literários: As Jantaradas» ou «A Coutada Literária do Expresso», o facto é que da maior parte das vezes que escreve sobre o principal assunto do livro, que é, julga-se (julgo) a «literatice», como lhe chama o João Gonçalves, aborrece. Há uns textos sobre o António Lobo Antunes que sobre os seus livros dizem pouco, servindo, principalmente, para parodiar uma figura. Eu não gosto especialmente, nunca compreendi a veneração, mas não deixa de ser lamentável como, em tantos casos, o livro é desvalorizado através da desvalorização da figura. Céline é um belo exemplo, mas no caso J.P. George não deve achar piada. Depois há aqueles textos que não são carne nem peixe – honestamente, não consegui ficar certo relativamente às inclinações de J.P. George por Esteves Cardoso, Sousa Tavares ou Rodrigues dos Santos: do primeiro diz que está aí para as curvas, apesar dos não-sei-quês, do segundo diz que lhe leu o livro todo e o terceiro legitima com alguma foleirada do Miller. Com certezas, e provavelmente porque não li tudo, só fiquei do seu, vá, amor pela Emily Brontë, já que afirma, sem especial prurido, que «O Monte dos Vendavais» é o «livro mais singular de toda a história da literatura mundial», afirmação que, sem dúvida, é senhora de alguma pujança.

Não me cabe a mim, que li em toda a vida umas três brochuras no dentista e sete exemplares da revista Maria, dizer que o J. P. George é, espera, espera, «dos bons». O facto é que poucas das centenas de páginas agradam ou impressionam. As restantes fazem rir, às vezes, mas não nos dão aquela maravilhosa sensação do tempo bem aproveitado. Não tornam fácil essa tarefa de dizer bem.

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