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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Se o mundo fosse completamente diferente

Priscila Rêgo, 12.05.11

Abril de 2011 - PEC IV aprovado pelo Parlamento, depois de cedência do PSD. Sócrates garante que não são precisas mais medidas de consolidação orçamental para atingir objectivos.

 

Abril de 2011 - INE revê défice em alta devido a Parcerias-Público-Privadas. Teixeira dos Santos diz que alteração metodológica não compromete objectivos e que será revertida em diálogo com o Eurostat.

 

Julho de 2011 - INE revela que défice orçamental do primeiro trimestre foi bem mais alto do que o revelado pela Direcção Geral do Orçamento. Razão: dívidas a fornecedores, que a DGO não contabiliza como despesa mas que o INE assume como gastos efectivos.

 

Agosto de 2011 - Estado continua a refinanciar dívida pública nos mercados. Emissão a 2 anos é um sucesso, com uma colocação de 1.500 milhões de euros a uma taxa de juro de 9%. Procura superou a oferta, lembra o secretário de Estado Costa Pina.

 

Outubro de 2011 - Previsões da Comissão Europeia apontam para défice perto dos 6% do PIB em 2011. Sócrates diz que não é preciso mais medidas. Juros atingem os 10% nas maturidades mais curtas. Procura excede sistematicamente a oferta.

 

Dezembro de 2012 - Teixeira dos Santos anuncia publicamente a transferência de vários fundos de pensões da banca para o Estado, medida que permite reduzir o défice de 6 para 4,6%. 

 

Fevereiro de 2012 - Comissão Europeia diz que são necessárias mais medidas para atingir défice de 3% em 2012. Sócrates nega.

 

Março de 2012 - Teixeira dos Santos dá uma entrevista ao Expresso em que afirma que juros de 10% são aceitáveis durante um período limitado de tempo, e que a taxa de juro média do stock da dívida continua aceitável. Recorrer à ajuda externa, apenas se os juros atingirem os 12%.

 

Abril de 2012 - Juros atingem os 12%. Mas taxas de juro efectivamente praticadas são desconhecidas. IGCP já só vende dívida em colocações secretas. China e Fundos Soberanos do Médio Oriente começam a ser cada vez mais falados.

 

Maio de 2012 - Sócrates nega necessidade de ajuda externa. Portugal é o quinto país da Zona Euro a registar um crescimento trimestral do valor acrescentado bruto da sivicultura mais elevado, relembra o primeiro-ministro.

 

Julho de 2012 - Sócrates apresenta o PEC V, o último pacote de consolidação orçamental. Medidas garantem cumprimento das metas orçamentais, garantindo que alterações metodológicas do INE e Eurostat têm impacto nulo no défice.

 

Julho de 2012 - PSD rejeita PEC V. Sócrates diz que só com o PEC V é possível evitar ajuda externa. Condições impostas pelo FMI seriam "gravíssimas, incluindo corte de salários, corte do 13º mês, fim do Serviço Nacional de Saúde, violação das nossas mulheres virgens e sodomização à bruta dos pensionistas mais velhos".

 

Agosto de 2012 - Recusa do PEC precipita pedido de ajuda. Teixeira dos Santos toma a iniciativa. "Acção coordenada com o primeiro-ministro", lê-se na página do Governo. "Traição", escreve a comunicação social.

 

Agosto de 2012 - FMI, BCE e Comissão estão em Portugal. Detectam inúmeros buracos nas contas públicas e reforçam o PEC V. "Não chegava", diz um tal de Poul Thomsen. Na mesma conferência de imprensa, diz que o pedido de ajuda externa onerou desnecessariamente o contribuinte português com juros insustentáveis.      

 

Setembro de 2012 - Sócrates rejeita responsabilidades pelo pedido de ajuda externa, que foi precipitado pela não aprovação do PEC V. Catroga diz que estamos todos a discutir "pintelhos". 

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