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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Razões para votar PSD

Priscila Rêgo, 18.05.11

É muita elogiada a maneira como Sócrates tem conseguido dar a volta a assuntos que em princípio seriam altamente comprometedores para o PS e o Governo. Mas o elogio recai sempre mais sobre a forma como Sócrates consegue "virar o bico ao prego" no espaço de debate público do que propriamente sobre algum argumento de substância que esvazie as críticas feitas ou desmonte os argumentos expostos.

 

Assim, Sócrates é um "político brilhante" não por mostrar que a descida da Taxa Social Única é errada, mas por conseguir conciliar duas mensagens contraditórias: a defesa de que ela é um disparate com o facto de a ter subscrevido junto da Troika. É um "político fabuloso" não por ter impedido o país de cair na bancarrota, mas por conseguir inculcar na opinião pública a ideia de que a culpa por esse facto é do PSD. E é tão mais brilhante, fabuloso e magnífico quanto mais absurda for a posição que sustenta. É a mentira elevada à categoria de qualidade política.

 

A mesma linha de argumentação serve para condenar o PSD. Sobre o líder do PSD não pesam acusações sobre quaisquer políticas ou propostas concretas - que, de qualquer forma, a maioria dos comentadores não conhece - mas sim sobre a forma como as tem comunicado ao país. Passos é um desastre por não manter os seus colaboradores sob rédea curta (ao contrário de Sócrates, que mostra um Teixeira dos Santos açaimado como troféu de caça), por deixar Catroga usar calão em público (ao contrário de Válter Lemos, que é todo educação e bons modos) e por não conseguir demonstrar que o facto de a descida da TSU estar inscrita no documento da Troika implica que ela esteja... inscrita no documento da Troika.

 

Apesar de isto ser revelador de alguma incompetência do departamento de comunicação do PSD, tal como dos critérios que presidem ao escrutínio dos políticos no espaço mediático, não é líquido que isto seja uma coisa má. Um dos grandes problemas do Estado português junto dos mercados e dos eleitores é a falta de transparência, condição que é insuflada pelo facto de a máquina de propaganda ter atingido um grau de eficácia que nunca antes tinha sido visto. Perante a falta de informação e opacidade, os investidores têm um mecanismo de fuga: não compram dívida. Mas os portugueses não têm remédio: a alternativa ao voto informado é sempre o voto desinformado. Deste ponto de vista, um partido com debilidades na comunicação pode ser uma boa ideia para Portugal. Não porque seja mais provável governar melhor, mas porque será mais difíceis enganar quem vota.

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