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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Cadeiras

Tiago Moreira Ramalho, 03.02.11

Com uma regularidade mais ou menos trimestral a nação decide discutir o número de deputados. É  daquelas obsessões que todos os povos têm. Podia dar-nos para pior.

O argumento utilizado é sempre o mesmo, o da crise. Como estamos em crise, temos de reduzir gastos e podemos começar por reduzir os gastos com os deputados. Preclaros leitores, as despesas da democracia são as últimas a poderem ser reduzidas. Se a democracia funciona melhor com 230 deputados, pois que se despeçam gestores, que se fechem institutos, que se faça o pino na Rua Garrett em troca de moedinha, mas nada de cortar na alimentação do Estado.

A grande questão é que, apesar de servir de argumento, a crise não é a real motivação. Interessa pouco, sejamos objectivos, o impacto orçamental de mais ou menos umas dezenas de deputados. É uma autêntica gota de água. A questão é estritamente política, numa lógica de obtenção de poder e influência. Com o sistema eleitoral que é o nosso, um Parlamento menor significa um Parlamento tendencialmente mais bipolar, com menor representação dos partidos pequenos e, obviamente, uma quase garantida maioria absoluta «solitária» de um dos maiores partidos. É o atalho para o poder, atalho que não deve ser criado a bem de uma boa representatividade. Se já hoje os resultados eleitorais não são evidentes pela composição do Parlamento, com uma redução do número de deputados, a diferença seria colossal. E se já temos dificuldade bastante em identificarmo-nos com o Parlamento, pensemos no que seria caso uma larga, larguíssima parte da população se visse fora da decisão política.

Os retornados

Tiago Moreira Ramalho, 02.02.11

Começamos todos os textos pelo título. Sempre. E este não foi excepção. Quando o concebemos, era para ser um longo e memorável romance. Um daqueles que, daqui a duzentos anos, têm nas contracapas, isto se daqui a duzentos anos ainda houver contracapas, que foi «a obra maior» que escrevemos, sob pseudónimo, que somos medrosos para assumir que uma «obra maior» da nossa lavra é, na realidade, uma merda. Ora, não desenvolvi o projecto porque me alembrei que já há um romance, todo romanceado, com este título. E nós cá não somos como o Mia Couto, que, ai e tal. Não. Nós respeitamos os jornalistas da TVI que escrevem livros, tal como respeitamos os direitos dos pica-paus amarelos que têm sítios que nos relembram a infância que, graças ao Senhor, ainda não está perdida. Faz parte da nossa essência. Tal como faz parte da nossa essência dizer aos colegas do blogue: olha, vou ali. E não voltar. Pois, voltei. Andei ocupado, alheado, com pouca vontade e pouca fome disto. Acontece, não me apedrejem. Há coisas giras para se fazer além de discutir com códigos binários. Agora acho que gosto de música francesa, do Jacques Brel e do Aznavour. Julgo que o Leonard Cohen é a melhor coisa que aconteceu à humanidade e que o Nat «King» Cole e o Ray Charles eram profetas. Já não gosto de literatura nenhuma além da russa. Também acho que odeio o cinema americano, todo pum-pum-pum, e que adoro o cinema europeu, todo ai que maravilha de grande plano com esta actriz que não é bonita nem feia mas que está a fazer umas caretas todas interessantes e expressivas para a câmara. Dêem-me dois ou três dias e tudo isto muda. Se o mundo muda em quinze dias, uma simples e reles pessoa pode mudar em muito menos, escassas horas. Eu sou prova disso. E agora, discutamos isso do mundo e assim.

2.0

Rui Passos Rocha, 02.02.11

 

Estou de volta. E tenho uma carrada de merdas para ler - só da porcaria do Maradona são 31 postas de pescada.

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