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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Apoiar a agricultura

Priscila Rêgo, 13.06.11

São muito curiosos os comentários a este post do João Miranda. Vários leitores do Blasfémias defendem simultaneamente que a) Portugal deve ter uma balança alimentar equilibrada; e que b) a agricultura deve ser subsidiada, porque todos os países desenvolvidos o fazem. Estas duas posições são contraditórias.

 

Em primeiro lugar, não é nada óbvio que um país deva ter como objectivo equilibrar a sua balança alimentar. Um subsídio à exportação agrícola é equivalente a um imposto sobre a exportação não agrícola. Por isso, cada euro retirado ao desequilíbrio da balança alimentar será um euro acrescentado ao desequilíbrio de outra balança qualquer. Dado o efeito distorcedor dos impostos e subsídios, até é provável que o efeito líquido seja negativo (e não nulo).

 

Em que actividades é que é expectável que um país seja deficitário e excedentário? Em princípio, um país será excedentário nas actividades que produzir com menor custo e deficitário naquelas em que for relativamente menos produtivo. Os islandeses têm muito mar e experiência pescatória. É normal que vendam peixe ao exterior. A produção de bananas, por outro lado, exigiria a criação de enormes estufas e importação de know-how. Seria demasiado caro. É mais fácil concentrar recursos na pesca e trocar os excedentes com o Brasil.

 

A subsidiação generalizada da agricultura diminui os custos relativos da agricultura nos países subsidiados e tem como efeito a descida do preço internacional dos produtos agrícolas. A agricultura torna-se menos rentável em Portugal, é verdade, mas a compra de produtos agrícolas fica muito mais fácil. Portugal pode cavalgar a descida dos preços e dedicar-se a produzir bens e serviços cujo valor não é mantido artificialmente baixo nos mercados.