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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Agência feia

Tiago Moreira Ramalho, 09.07.11

O fervor patrioteiro contra as agências de notação financeira tem vindo a despertar sucessivos e algumas vezes violentos bocejos em mim. Porque é demonstrativo da estranha forma como pensamos. Deixamos que todo o nosso raciocínio seja enviesado pelo tribalismo que parece unir-nos e escusamo-nos a pensar o problema com a objectividade necessária. Quando se ouve, por todo o lado, que as agências de rating são umas feias porque nos dão más classificações, ouve-se, ao mesmo tempo, a confissão de uma incapacidade de juízo que alarma.

Em primeiro lugar, é preciso perceber que o que as agências de rating fazem é uma simples análise, que só é feita se for pedida e, por conseguinte, paga por quem a pede. O governo português, quando contratou o serviço da Moody’s, confiou no seu juízo, supomos, pois não queremos acreditar que o dinheiro público seria atribuído a uma empresa pouco fiável. Estranho é que como o resultado não é o pretendido, essa credibilidade que lhe demos no acto do pagamento se tenha esvaído. Há uma certa duplicidade nos padrões dos governantes, no que a isto diz respeito.

Além disto, parecemos esquecer qual é o principal activo destas empresas. É a credibilidade. Num mercado muito concentrado, em que a acção de uma empresa assume uma relevância tremenda, nenhuma destas empresas tem interesse em ser pouco credível. Uma agência de notação financeira que se saiba aos serviços de uma política obscura dos Estados Unidos da América (de quem dentro da América – se do governo, se de um clube de empresários malvados, se do cão Bo – não sabemos) implode no momento seguinte, pois nenhum país ou empresa voltará a contratar os seus serviços. Claro que a definição deste princípio não implica necessariamente que uma das agências não arriscasse a façanha, nem tampouco implica que não possa haver erros, mas queremos acreditar que eles, melhores ou piores, não são completamente idiotas.

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