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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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É cruel, sim

Priscila Rêgo, 18.07.11

Mas não resisto. Isto é o Henrique Raposo a falar sobre a semiótica dos estrunfes.

 

Ao que parece, os estrunfes são uma monstruosa máquina de propaganda comunista. Há duas décadas e meia, a minha mãe pensava que eu estava a ver uns desenhos animados fofos, mas, na verdade, eu estava a receber mensagens sublimares do Álvaro Cunhal e do nosso. É verdade, caro leitor. É o que diz um genial sociólogo ("genial sociólogo" é pleonasmo, eu sei) francês de seu nome Antoine Buéno. Em "Le Petit livre bleu: analyse critique et politique de la société des schtroumpfs" , Antoine Buéno diz que os estrunfes de Peyo têm mensagens subliminares alusivas ao totalitarismo, nomeadamente do totalitarismo comunista (não vale rir, caro leitor). Porquê? Ora, porque "todos os estrunfes se vestem da mesma maneira" (quem diria), "têm casas iguais às dos vizinhos" (o que demonstra a existência de planos quinquenais para o urbanismo)", "não são conhecidos pelos seus nomes pessoais" (um violento ataque à ética cristã) e, reparem, vivem num espaço partilhado onde a "iniciativa privada não é estimulada" (caramba, Peyo não leu Hayek - prova inequívoca do seu totalitarismo). (...) O que seria de nós sem a sociologia de Paris?


E isto é o Henrique Raposo, qual Roland Barthes, a aventurar-se, ele próprio, nos domínios da semiótica.

 

É o facto insofismável número um: o Ocidente afastou-se de Deus, ocorreu uma descristianização da sociedade e das narrativas. Mesmo tendo em atenção as diferenças entre EUA e Europa, não há ninguém que conteste esta ideia. Porém, quando olhamos com atenção para as grandes narrativas pop deste tempo, constatamos que o grande J.C. continua firme no centro da moral. Cristo está sempre lá. Com outras roupagens, com outras mitologias, mas é Cristo. Olhemos, por exemplo, para as duas grandes sagas cinematográficas da geração 2000: Matrix e Harry Potter, que tem por aí o último filme. Matrix é tão pós-moderno que até parece um irmão gémeo de Baudrillard (...) Mas, no centro desta parafernália, encontramos a narrativa mais velha da nossa Era: Neo, o homem que, no final, tem de morrer para salvar a humanidade. Nada mau para uma saga declaradamente pós-moderna (...) Tal como Neo, o jovem Potter tem uma espécie de morte, mas, depois, ainda tem uma espécie de ressurreição (apesar de tudo, Neo não teve direito ao seu momento Lázaro). O nosso tempo não é tão descristianizado como julga.



 

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