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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Caridade via preço

Priscila Rêgo, 28.07.11

Alguns leitores defendem a política da subsidiação dos transportes com o argumento de que é preciso ajudar os pobrezinhos. Ajudar os pobrezinhos é um objectivo louvável, mas baixar os preços dos transportes é uma má maneira de o fazer. Em primeiro lugar, porque nem todos os que utilizam os transportes públicos são pobres; em segundo lugar, porque nem todos os pobres utilizam transportes públicos. A política do passe subsidiado abrange muita gente que não deveria ser beneficiada e deixa de fora muita gente que deveria estar bem à frente na lista de espera.

 

Na verdade, a política apenas atinge permanentemente um segmento bem identificado da população: funcionários (entre os quais os gestores) das empresas públicas de transportes, que ficam dispensados de concorrer no mercado, de reduzir custos e oferecer um serviço de qualidade. Como a receita é "insuflada" pelo factor subsídio, têm menos incentivos para racionalizar a rede, melhorar o serviço ou controlar os gastos. Os partidários da política do passe social têm razão quando dizem que o preço subsidiado ajuda muita gente. Só se enganaram ao identificar o estrato.

 

 

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