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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Ainda Londres

Rui Passos Rocha, 23.08.11

Tony Blair escreveu um texto dizendo que o que aconteceu há dias em Londres e outras cidades britânicas não espelha um declínio moral da sociedade, como defende Cameron, mas sim a alienação, desafeição e maus comportamentos de jovens pertencentes a famílias disfuncionais. A solução, diz, não é aumentar as penas (direita) nem criar programas de reeducação social (esquerda), mas sim ir bairro a bairro, e casa a casa, perceber e resolver os problemas específicos.

A ideia não é propriamente nova; nem está assim tão distante daquela que ele atribui à esquerda. Suponho que o que ele dela critica é que pretenda socializar os jovens recorrendo a um mesmo plano para todos, como se os problemas fossem homogéneos. Mas não consta que esses programas de reeducação não sejam, na prática, maleáveis.

Por outro lado, a ideia pode perfeitamente funcionar. Significa que a sociedade reconhece a sua imperfeição e desigualdade, dando por isso outra oportunidade de inclusão aos mais desfavorecidos. Mas pode haver uma ponta solta: se esse incentivo à inclusão não for acompanhado por um desincentivo ao crime (aumentando as penas) talvez o efeito pretendido não seja conseguido.

3 comentários

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    RPR 23.08.2011

    Não li nenhum estudo sobre isto. Há algum que me possa indicar? De resto, penso que está certo na parte sobre a acção colectiva.
  • Sem imagem de perfil

    J. Tavares Moura 23.08.2011

    Pode consultar este documento neste link: https://www.ncjrs.gov/pdffiles/statresp.pdf

    Onde pode ler o seguinte:

    "Much of the change described in this document has resulted from public perceptions of the escalation of violent juvenile crime and the accompanying political reaction to that perception. The necessity was “to do something.” In response, legislative and executive solutions have been drawn that rely on expanding existing systems of corrections and translating adult interventions for serious and violent juvenile offenders.
    In most instances, the reliance on these changes in response to violent juvenile crime has not been based on evidence that clearly demonstrates the efficacy of the intervention. The notion of criminal justice sanctions for serious and violent juvenile offenders stands, therefore, on its own merit; it is worth doing, even if it is not clearly demonstrated that it will produce a lasting and positive change in behavior. In tracking the impact of these broad and sweeping changes, it will be necessary to address outcome and, in a reasoned way, to possibly modify our beliefs—and the interventions that follow—on the basis of that investigation.
    It may be that there is significant merit in some or all
    of the strategies adopted during the past 4 years; it may
    also be that there is not. Public concern about violent
    juvenile crime will only increase if it appears that the
    efforts made to curb it are ineffective."

    Contudo, consultando o documento em mais detalhe, constata que não existe nenhuma relação entre baixa criminalidade e penas pesadas. Deste modo não se poder afirmar que as penas pesadas constutuiem um desincentivo ao crime, porque os dados não o comprovam.
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