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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Gays, parvoíce e liberdade (2)

Rui Passos Rocha, 01.09.11

Em resposta ao texto em que defendi o direito de incentivar à não compra do Sol, o Ludwig Krippahl escreveu (vale a pena ler o texto todo) que "se mil pessoas não comprarem o jornal Sol em protesto contra o José António Saraiva e as suas opiniıes, causam um prejuízo mínimo ao jornal, quase nenhum ao José e nenhum às suas opiniões", pelo que a melhor solução será reagir "pelo diálogo, sátira ou persuasão racional, mas não pela força, ameaças ou coerção".

De acordo. A liberdade de expressão só será plena se for permitida de igual forma a expressão tanto de opiniões tidas como correctas, como das erradas e das dúbias, pois as primeiras sairão reforçadas pela sua divulgação, as segundas poderão ser alvo de contra-argumentação e as terceiras de debate frutífero. Em qualquer dos casos tenderá a sair reforçada a opinião que mais se aproximar da verdade (vem no Mill, filha). E, o que é mais importante, sairemos todos mais informados e tolerantes.

É por isso que, usando as palavras do Ludwig, temos "o dever de não erguer o punho só porque dizem algo de que discordamos, de não choramingar que nos ofendem e de não retaliar só por alguém defender uma opinião que nos incomoda". Isso faz com que, apesar de sermos livres para organizar boicotes deste tipo, devamos abster-nos de o fazer.

Se é verdade que editoriais parvos têm como consequência provável menos leitores futuros, também é verdade que a defesa de boicotes a opiniões parvas nos aproxima da intolerância e da aceitação de decisões mais radicais, como a proibição da venda do jornal. É neste ponto que o texto do Ludwig muda a minha opinião inicial.

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