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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Despesa II

Priscila Rêgo, 01.09.11

Já que falamos nisto, há outra crítica injusta que convém desfazer. Apesar de todo o sururu, algumas das medidas que são apresentadas à opinião pública como aumento de receita são, na verdade, redução da despesa.

 

O aumento de preço dos transportes públicos é um bom exemplo. Os transportes públicos são geridos por empresas cronicamente deficitárias, que sobrevivem através de subsídios (despesa pública) e garantias à emissão de dívida (despesa pública futura). Ao fazer-se com que os consumidores deste serviço paguem uma fracção maior do respectivo custo está-se, na verdade, a reduzir as resposabilidades actuais e futuras do Estado com estas empresas.

 

Este é o princípio que está por detrás de qualquer redução de despesa: retirar ao Estado uma função e devolvê-la às mãos do mercado, obrigado o utente a transformar-se em consumidor e a pagar do seu bolso. Quando os países socialistas deixaram de financiar as senhas de refeição dos seus cidadãos, estes tiveram de aumentar os seus gastos no mercado. A expectativa, nas senhas como nos transportes, é que a menor distorção do sistema de preços leve os consumidores a fazerem escolhas mais racionais e os produtores a deslocarem recursos para os sectores mais rentáveis.

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