Descubra as diferenças
A derrapagem na Madeira não é novidade. O Governo Regional informara já a população de que, para defender o Povo Madeirense, a alternativa às medidas financeiras político-partidárias do anterior Governo socialista que visavam parar a vida do arquipélago foi a de não se render, resistir, mesmo à custa do aumento da dívida pública (...) Nem paro com as obras nem vou afastar ninguém da função pública.
Qual é o sentimento da maior parte dos portugueses em relação a isso? Espanto por um político que assume o descontrolo total das suas contas; desprezo pela pesporrência com que garante que se vai manter em business as usual; e nojo pela lata de ainda vir pedir ajuda e atirar as culpas para a "Esquerda".
Agora imaginem que o Jardim dizia alguma coisa deste género:
Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias. Aumentou por uma boa razão: para responder à crise. E tivemos bons resultados, foi [o aumento do défice] que permitiu à economia resistir à crise. [Ela] ainda não acabou e em 2010 o Estado vai continuar a fazer um esforço orçamental muito grande.
A principal diferença está na linguagem mais polida. Mas para quem vomita ao ouvir o Jardim, a citação anterior fornece uma boa pista para a razão pela qual a Alemanha está pouco interessada em emitir eurobonds. Ou, na formulação feliz do João Miranda, parece que o João Jardim quer lusobonds.
