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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Não é bem isso do monstro

Priscila Rêgo, 07.10.11

A Palmira Silva respondeu às minhas objecções (esta e esta).  Bom, ela não me refere explicitamente, mas o post tem todo o aspecto de me ser dirigido. Diz que Portugal é um dos países europeus com mais desigualdade, afirma que o nosso sistema fiscal é um dos que mais se apoia na tributação indirecta e nota que a nossa economia foi muito afectada pela crise.

 

Concordo com tudo. Mas fico a pensar: que é que isto tem que ver com o que estava a ser discutido?

 

Convém recuar alguns posts. A Palmira defendeu que não há nenhum "monstro" na função pública, argumentando com o peso do emprego público no emprego total. Eu mostrei que, se compararmos a verdadeira "factura", medida pelo peso dos gastos públicos no total dos gastos, ficamos com uma imagem bastante diferente daquela que é transmitida pelo seu post. Portugal está à frente da média e no pelotão mais avançado quando se compara like with like.

 

Depois, mostrou a percentagem da despesa com saúde que é paga directamente pelos portugueses. Eu nem percebi muito bem aonde é que ela queria chegar: limitei-me a salientar que o corolário mais provável desse raciocínio seria a pouca eficiência do Serviço Nacional de Saúde - ainda para mais tendo em conta que, nas comparações internacionais, o Estado português já gasta com saúde um pouco mais do que a média da OCDE. Um atestado de ineficiência que é precisamente o contrário daquilo que uma colega sua tinha afirmado antes, e que ela aparentemente tentou corroborar. 

 

E foi só isto. A Palmira fala agora de desigualdade, estrutura de impostos e por aí fora; mas o meu propósito com os dois posts que escrevi era muito mais restrito: mostrar que, no que diz respeito à saúde e função pública, a realidade é um pouco mais complexa do que aquilo que a Palmira tentou fazer crer. Não são a última palavra na discussão; mas talvez justifiquem um pouco mais de humildade em vez daquela ironia professoral.

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