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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Nova maioria, novo bailinho

Rui Passos Rocha, 10.10.11

Acabou de sair do forno um livro chamado The Dictator's Handbook: Why Bad Behavior is Almost Always Good Politics, onde os autores comparam os governantes em ditaduras e democracias recorrendo a uma série de estudos científicos sobre a matéria. Algumas das conclusões não surpreendem, como a de que, apesar de ambos terem o mesmo objectivo - o de se manterem no poder o maior tempo possível -, os ditadores perseguem-no distribuíndo recursos junto das elites e forças da segurança, ao passo que os democratas devem fazê-lo sobre o maior número possível; e a de que o envio de dinheiro humanitário para países pobres governados por ditaduras tende a perpetuar o regime, pois é sobretudo redistribuído pelas elites e não pelo povo (vejam no YouTube o que a Dambisa Moyo e o George Ayittey têm a dizer sobre isto).

 

Mas parece que há um capítulo dedicado a algo que nunca me tinha passado pela cabeça: os aeroportos. Segundo os autores, nas ditaduras os aeroportos tendem a ser mais próximos das grandes cidades, sendo as estradas praticamente rectas, do que nas democracias, em que são ziguezagueantes e mais longas. Em princípio isto espelha a menor preocupação (para não lhe chamar outra coisa) dos ditadores para com a propriedade privada, até porque os pequenos proprietários não têm poder contra um Estado poderoso; e, por outro lado, também poderá significar que os ditadores querem poder pôr-se a milhas depressa caso haja fumo de revolução.

 

Como só li a recensão que acima linkei não sei como fizeram os autores para distinguir ditaduras de democracias. O pouco que sei é que a ciência política tem vindo a abandonar esta dicotomia em favor de uma abordagem por graus: há democracias e democracias, assim como há ditaduras e ditaduras. Por isso, à partida parece-me discutível o ponto de partida do livro. Por outro lado, não sei se a tese dos aeroportos - a ser verdadeira também numa abordagem por graus - seria aplicável num estudo comparativo de ilhas não independentes mas com estatutos constitucionais em parte autónomos dos Estados centrais. Ainda assim, só por curiosidade fui dar uma olhada no Google Maps à distância entre o aeroporto da Madeira e o Funchal e descobri (nunca lá estive) que é de aproximadamente 16km. Um bocadinho acima, o aeroporto João Paulo II dista apenas 5km de Ponta Delgada. Ou seja, em princípio não é por aí...

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