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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Nós e eles

Tiago Moreira Ramalho, 14.10.11

A urgência na estabilização das contas públicas parte, parece-me, de um pressuposto simples: o Estado gasta menos, o que faz desacelerar a economia, e os privados investem mais, pois o ambiente para investir é mais seguro – não existe risco de a economia falir, o que faz o financiamento ser perturbadoramente mais barato e menos incerto. E para isto, é preciso duas coisas: que o ajustamento nas contas não afecte as poupanças das famílias (mas sim o consumo), que o ajustamento não afecte as empresas (ai o capital!) e, finalmente, e talvez o mais importante, que a população perceba o que real propósito de tudo isto. Porque, para sermos objectivos, muitos dos fenómenos económicos partem de simples expectativas: se toda a população acreditar que o investimento virá, agirá de forma calma e o ambiente pouco conturbado na sociedade conduzirá a um ambiente saudável para investidores. E isto, até agora, tem tudo acontecido em Portugal.

Já na Grécia, não conhecemos em detalhe as medidas, mas supomos que tenham uma natureza semelhante. O que falha estrondosamente é o terceiro factor, o da compreensão da relevância das medidas por parte da população. Porque não é preciso ser um génio: medidas de austeridade diminuem, pela sua natureza, os gastos do Estado e, por consequência, o consumo dos particulares. Significa isto que só as exportações ou investimento nos poderiam levar a uma situação melhor, e sem moeda própria para desvalorizar, parece-me que só lá vamos com a força dos privados que queiram investir. Tratar bem estes tipos é a diferença.

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