Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

O poder sindical

Tiago Moreira Ramalho, 17.10.11

É bastante comum ouvirmos que o governo propõe algo aos sindicatos. Na Educação, o governo propõe um modelo de avaliação. Na Justiça, o governo propõe um mapa judicial. Nas Finanças, o governo propõe um aumento salarial. Isto é fundamentalmente errado e, arrisco, algo perigoso.

A natureza dos sindicatos reside, precisamente, na sua falta de Poder. Os sindicatos não são instituições políticas. Não podem nem devem ter poder de decisão. Eles existem, no limite, como contra-poder e ser contra-poder implica que um poder exista e que aja previamente. Não cabe aos sindicatos definir os salários ou estabelecer o modelo de avaliação docente, mas sim ao governo e, no limite, ao Parlamento, os quais têm a legitimidade democrática para decidir. Numa negociação entre o governo e o sindicato, o sindicato representa a minoria – a corporação –, enquanto o governo representa a maioria – o país. Não podem, nem que seja por básico apelo à matemática, falar de igual para igual. Os sindicatos são um grupo de pressão como outro qualquer, que por acaso está organizado e estruturado. O poder de um sindicato é o mesmo que o poder de um grupo de reflexão, de uma tertúlia ou de um conjunto de bêbados que se arrastam no Bairro Alto.

Muito do que são as grandes decisões políticas dos últimos anos estão mais atadas às opiniões dos sindicalistas do que às opiniões da população. As razões podem ser explicadas de muitas formas (os sindicatos, pela sua organização, têm mais exposição, por exemplo). No entanto, independentemente das razões, o facto é que estes senhores têm mais poder que alguns partidos democraticamente eleitos e com assento parlamentar. E isso mina toda a confiança de um povo nas instituições que para si criou.

2 comentários

  • Zé, respondendo por pontos:

    1) Falo de poder formal, institucional. Reconhecimento generalizado, apesar de não tipificado na lei, de um poder de decisão comparável a uma instituição política normal.

    2) Eu não comparo os sindicatos aos partidos parlamentares, digo que o poder de um sindicato em determinar uma certa política é, por vezes, superior ao de partidos parlamentares. Isto parece-me, até, bastante pacífico. O Carlos Carvalhas tem mais poder em certas negociações que o Jerónimo de Sousa. Quanto à possibilidade de um indivíduo concordar com um sindicato e votar num partido que não concorda com o sindicato, enfim, isso pode perfeitamente acontecer. Mas não me parece que isso invalide o argumento.

    3) É muito difícil fazer essa avaliação. Os sindicatos podem não ter exactamente o que querem, mas não sabemos o que seria sem eles. É impossível fazer essa análise.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.