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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Morangos

Tiago Moreira Ramalho, 16.04.10

Sou de uma escola blogosférica – está tudo bem, Maradona – segundo a qual quando existe uma fractura, tal fractura deve ser exposta. E bem, querido leitor. Ora sucede que a minha extraordinária fractura, que me está, confesso, a dar a volta ao miolo, está toda ela relacionada, sim, com os blogues da Sábado.

Os blogues da Sábado começaram há muito, muito tempo, num dia que talvez estivesse chuvoso, com uns vídeos meio tolinhos feitos com os «coordenadores» – Jesus!, that’s living –, a saber: Marta Rebelo, uma pessoa que existe, e Rui Castro, uma pessoa que também existe. Fotografias, filmagens, um pedacinho de flirt, para adoçar, e lá foram eles à vida blogueira. Convidaram pessoas e tudo. Escuso-me a falar da maioria das pessoas, porque não exponho assim tantas fracturas – sou um senhor, um senhor. Ora, sucede que os blogues, ambos os dois, são terríveis. Ilegíveis, feios, desinteressantes e, mais, vítimas das zangas da Marta Rebelo, uma pessoa muito zangada e com uma grande densidade intelectual, que faz entrevistas com grande qualidade e que, enfim, parece que comete uns erros de português – todos os cometemos, ó Marta, mas basta o que basta.

Eu próprio participo num blogue alojado dentro de um jornal e, senhores, que diferença. Nunca vi naquele blogue a utilização de pontos de exclamação múltiplos ou a multiplicação de posts que, na realidade, são mails que os autores preferem tornar públicos, talvez para tentarem criar alguma profundidade nas personagens de ficção que na realidade são.

O melhor que a Sábado, que é uma revista de um tipo de qualidade que nos escusamos a dizer, poderia fazer era alterar o formato. Neste momento estou a pensar assim numa série, daquelas da moda. Uma espécie de morangos com açúcar, mas com cabelos brancos e pessoas gordas em que as diferenças entre gangs não estão na roupa, na conta bancária, nas práticas religiosas, mas sim nisso de ser de «esquerda» (a Marta Rebelo sabe muito da «esquerda» e da «direita», nomeadamente acerca dos aspectos dos nativos de cada uma das tribos – é ler-lhe a obra) e da «direita». O Maradona, lá no meio, ainda era capaz de inovar e meter-se, porque ele gosta muito, a ler livros ou assim.

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