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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Infiltrações

Tiago Moreira Ramalho, 24.10.11

A pátria assemelha-se a um pequeno barquinho de madeira que flutua precariamente sobre um leito de idiotice. Tentamos coordenar-nos o melhor que podemos, remando à esquerda e à direita em repetições infinitas até que, mais cedo ou mais tarde, quem sabe num daqueles muitos momentos em que estamos a descansar o braço e a cantar um fadinho, damos com um buraco no fundo que nos enche de estupidez em estado líquido. E aí começamos a falar de reformas de políticos.

A argumentação dói no estômago. Defendemos que aos políticos deveriam ser retiradas pensões às quais eles têm direito, desprezando pelo caminho o facto de alguns deles abdicarem delas livremente. Consideramos um direito adquirido isso de violar os direitos (ponto) de um certo grupo de pessoas que só pertencem (aqui reside a ironia) a esse grupo porque nós assim o quisemos.

Entendamo-nos: se for necessário, pois que se retirem temporariamente as reformas aos políticos – isso não é pior que retirar temporariamente os subsídios aos trabalhadores do Estado. Mas as ‘elites’ que façam o favor de evitar esse anarquismo cool de ataque indiscriminado ao poder, de ridicularização absoluta de quem apenas murmura, com medo das eventuais pedras arremessadas, que aquilo que recebem não é roubado, mas que está na lei. Os «nossos» direitos não são mais «direitos» que os deles, meus caros. Isto não é a quinta dos animais de pernas para o ar.

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