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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Infiltrações [2]

Tiago Moreira Ramalho, 25.10.11

Um corte temporário numa transferência de dinheiro contratualizada (seja uma pensão ou um subsídio) pode, no limite, ser encaixado nessa brincadeira do «interesse nacional». Afinal, entre perder umas centenas ou milhares ou perder tudo, julgo que a pessoa de bem optará pela primeira, até porque o efeito de longo-prazo de um corte temporário é praticamente nulo.

Já o corte definitivo assume contornos especiais. Todas as minhas acções no presente – nomeadamente as minhas opções de consumo, poupança e, até, risco – dependem do meu rendimento e das minhas expectativas de rendimento. Podemos não o perceber em todos os momentos, mas quando gastamos dinheiro, assumimos que o nosso salário deste mês não é o último (caso contrário, dificilmente compraríamos uma casa). Claro que esta expectativa pode ser mais ou menos correcta – afinal, há gente que entra em incumprimento. No entanto, é perfeitamente legítima quando a lei nos garante que aquele rendimento é seguro até morrermos.

Os «políticos», essa escumalha, tinham (e ainda têm) uma lei que lhes garantia (e ainda garante) uma subvenção vitalícia decorrente do serviço público (bom ou mau) que prestaram. Isto é um contrato entre o Estado e um conjunto de pessoas. E sendo um contrato, não pode ser rasgado ao sabor da conveniência. O populismo da ‘elite opinadeira’ não mata, mas mói. Mói uma vez mais a dignidade da actividade política e, pior, atreve-se a moer o rule of law.

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