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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Infiltrações [3]

Tiago Moreira Ramalho, 25.10.11

Não se pense, no entanto, que defendo uma torneirinha de dinheiro para ex-titulares de cargos públicos. Não julgo que faça o mínimo sentido e agrada-me bastante que já não exista para os actuais titulares. Há, ainda assim, que perceber que estas subvenções fazem parte do «salário» de quem este coberto pelo regime anterior (quando entraram na actividade política, isto era garantido). E a minha geração não pode simplesmente cuspir nos contratos que a geração anterior candidamente assinou. A minha geração, tal como o filho do pai bêbado, tem de honrar os compromissos passados.

A situação actual é dificilmente atacável. Deixa-se aqueles que entraram na actividade política com o regime anterior manter a subvenção até que morram. É aquilo a que têm direito. Ao mesmo tempo, os «novos» políticos já entram na actividade sabendo que a pensão não virá. É o mesmo que diminuir o salário atribuído pelo serviço público. Temos um sistema dual, próprio de uma transição legítima. Radicalizar leva apenas a que o país se torne gradualmente num inferno de imprevisibilidades – excelente para a austeridade, assassino para o crescimento.

 

P.S.: Este texto foi revisto depois da correcção que o Luís Lavoura fez em comentário.

3 comentários

  • Isso é algo que me faz pensar um pouco. Por um lado, há um contrato assinado com os trabalhadores e o corte definitivo é de alguma forma ilegítimo. Por outro, a natureza do funcionalismo público impede ajustes legítimos. Em condições normais os termos seriam: a partir de agora, quem renovar contratos recebe menos - querem ou não? Mas tenderia a discordar caso o corte for permanente.

    No entanto, essa situação é diferente das pensões. No caso das pensões nunca pode haver um «as pensões vão ser cortadas, vão procurá-las noutro lado».
  • Sem imagem de perfil

    Miguel Madeira 26.10.2011

    "Em condições normais os termos seriam: a partir de agora, quem renovar contratos recebe menos - querem ou não? "

    Só uma coisa - nisso não é suposto haver diferença entre privados e funcionários publicos.

    A um trabalhador do sector privado com contrato sem termo também não se pode dizer "quem renovar contratos recebe menos - querem ou não? "; por outro lado, a um trabalhador do sector público com contrato a termo, à partida também se poderia dizer "quem renovar contratos recebe menos - querem ou não? ".
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