Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A arrogância do ignorante

Vasco M. Barreto, 07.11.11

 

 

Chamo a atenção para este texto do colega Alexandre Borges. Sem perder muito tempo com a evidência de que qualquer texto de blog que critique o primado da opinião está ferido de morte à partida (os blogs são a expressão máxima da democratização da opinião), também me parece óbvio que devemos exigir dos media o que não se pode pedir a um blog e que a praga de opinião na comunicação social está a atingir uma proporção tal que, por vezes, de telecomando na mão, dou por mim com tiques de Manuela Ferreira Leite, a murmurar se não devíamos interromper a liberdade de expressão durante seis meses. A Sic Notícias, em particular, dá-me náuseas. O canal tem a pretensão de ser uma espécie de CNN lusa, mas não faz jornalismo de investigação. O horário nobre é ocupado com noticiários e o grosso dos noticiários preenchido com entrevistas e debates, porque é o minuto de televisão mais barato.  A conjugação desta estratégia com o momento actual de crise produziu uma linguagem que, com simples afinações, se assemelha ao newspeak do famoso 1984, de Orwell: em vez de uma linguagem que serve o domínio do Estado, ouvimos uma linguagem que serve os omnipotentes "mercados"; a falta de conhecimento sobre o assunto eliminou todas as subtilezas de discurso e referências históricas; a  remoção de palavras e expressões com conotação negativa, também típica do newspeak, surge na forma de eufemismos, como a "eliminação de redundâncias" - suspeito até que a formação de palavras por aglutinação está à porta, bastando que a hegemonia económica da Alemanha comece a extravasar em domínio sobre a cultura.

 

Não duvido que parte do estrondoso sucesso de Inside Job resultou da qualidade intrínseca do documentário, mas também da diminuição da qualidade da informação diária, que, de tão fragmentada, redundante e nas mãos de quem se limita a propagar um eco cuja fonte se desconhece, nos deixou com imensa fome de perceber. Sem conhecimentos de economia e finanças, o que me resta, então? Ler só os melhores. Por isso, fico com o Paul Krugman. E quem me quiser convencer do contrário, que ganhe primeiro o prémio Nobel. Alguém disse que concordava com Marcelo Rebelo de Sousa em todos os assuntos que não dominava, uma sábia regra que, com a devida vénia, reformulo: só não sou adepto dos argumentos de autoridade nos assuntos que domino.

 

 

 

2 comentários

  • Falando um pouco seriamente, isto é uma coisa que me desgraça o miolo. O Krugman, além de ter opiniões políticas, é um cientista. A Economia não é (ou não deve ser) uma coisa de «Esquerda» e «Direita». Um economista sério ouve o que o Krugman diz, tal como ouve qualquer outro economista minimamente credível.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.