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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Os calvários

Tiago Moreira Ramalho, 12.11.11

No Ípsilon da última sexta-feira, António Marujo escreve uma longa e fastidiosa recensão do último livro de José Rodrigues dos Santos. O objecto tratado já de si será pouco interessante para um crítico literário. Não é, julgo, o objectivo de José Rodrigues dos Santos escrever (até porque é duvidoso que conseguisse) livros que se leiam quando ele morrer e as orelhas regressarem ao pó. José Rodrigues dos Santos tem uma fórmula simples de criar suspense que, na verdade, atrai e agrada muitos leitores. Isto sem que haja dúvidas, até da parte de quem o lê, que José Rodrigues dos Santos é um ovo mexido para quem quer uma refeição simples, sem sabores fortes ou potenciais repercussões gástricas. E isso não tem nada de errado. Diferentes autores escrevem para diferentes públicos. Se o mundo fosse feito de Ulisses e Guerra e Paz apenas, eu, que nunca os li, seria um triste. E penso, isto assumindo a benevolência humana e assim, que o António Marujo não me quer feito lixo por um motivo desta natureza.

Além disso, António Marujo é uma espécie de José Rodrigues dos Santos a escrever sobre o José Rodrigues dos Santos. Não tenhamos dúvidas que, tal como no caso da própria literatura, a qualidade da crítica literária é eminentemente comparativa. E lamento imenso, mas escrever uma linha sobre José Rodrigues dos Santos depois do Rogério Casanova é uma pecadora perda de tempo. Leva a este bonito paradoxo: o António Marujo, que odiou o livro do José Rodrigues dos Santos, esforçou-se por chegar ao último ponto final. Já eu não passei do terceiro ponto final do artigo. Onde está o calvário, afinal?

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