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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Deixem-nos estar como estão

Tiago Moreira Ramalho, 16.11.11

A discussão sobre os feriados peca, no meu modesto ver, num factor que é de algum modo relevante: assume que trabalhar um feriado é economicamente igual a qualquer outro dia. Um modelo económico simples pode levar à conclusão que aumentar o número de horas trabalhadas é benéfico.  No entanto, o que os modelos económicos simples não conseguem avaliar são factores extra-económicos complexos. Não é difícil imaginar que o custo de oportunidade de trabalhar no dia 24 de Dezembro à meia-noite é substancialmente maior que o custo de oportunidade de trabalhar no dia 16 de Novembro à mesma hora. Os modelos económicos simples apenas diferenciam o custo de oportunidade com o número de horas trabalhadas, mas não com o tipo de horas trabalhadas. O facto é que a eliminação de feriados pode até levar a perdas de eficiência (apesar de não serem contabilizadas no PIB).

Se o objectivo é aumentar o número de horas trabalhadas, há formas muito mais baratas e eficientes: reduzir temporariamente os dias de férias, criar um sistema em que as empresas podem requerer a presença dos trabalhadores durante meia-dúzia de sábados por ano (uma empresa com gestão inteligente, nesta altura, iria provavelmente tornar a presença optativa e sem prémio de horas extraordinárias – no actual estado de coisas, a esmagadora maioria dos trabalhadores iria trabalhar). Porque estes dias valem menos para os trabalhadores do que os feriados. 

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