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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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As mentalidades

Tiago Moreira Ramalho, 24.11.11

Eu nasci com a «mudança de mentalidades» enfiada nos ouvidos. Por isso, ler repetições exaustivas destes pedidos elevados apenas me traz a náusea e, porque sou sensível a este tipo de discurso, o desconforto. Ainda assim, Peter Cohan escusa-se a mostrar alguma consideração pela minha condição infeliz e escreve um artigo em que mais nada pede ao povo português do que, precisamente, uma «mudança de mentalidades».

Não digo que o desagradável Peter Cohan esteja totalmente errado, principalmente no assunto em questão. É um facto que os nossos empresários não procuram financiamentos alternativos. Em regra, desconfiam da bolsa, adoram os bancos e veneram as heranças. No entanto, não é com apelos apaixonados à mudança do gene pátrio e à busca de uma alma perdida no Equador quatrocentista que as «mentalidades» mudam. Não é mostrando Sillicon Valey como uma mina brasileira que se empurra os empresários para uma gestão mais inteligente.

Os empresários respondem a incentivos. São humanos, na maior parte dos casos conhecidos. E os incentivos, principalmente quando esses humanos têm fracas (mesmo quando «superiores») formações, são dados pelas políticas e pelo discurso político. E nenhum dos dois é particularmente simpático ao capitalismo. A direita medrosa e burrinha alinha com a esquerda desempoeirada à chinesa defendendo que o caminho é o subsídio, as variações nos impostos e a linha de crédito. O mercado e o estrangeiro são as nossas abominações de estimação. A Tatcher dizia aos ingleses para encararem o mercado como uma possibilidade. Nós não temos nenhuma Tatcher. Arranje-nos uma, Peter, e a gente depois conversa.

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