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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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O modelo mais simples

Tiago Moreira Ramalho, 01.12.11

 

Para recusar a intervenção governamental através de subsídios ou de impostos e taxas, muitos economistas argumentam com o mais simples dos modelos económicos: o da procura e oferta. Afinal, se o mercado consegue chegar a um equilíbrio por si só, para quê haver uma intervenção?

O problema é que os economistas que fazem este tipo de análise, em vez de pensarem no custo total (social), pensam no custo privado. E, no fim, usando apenas custos e benefícios privados, formulam conclusões sobre bem-estar geral. Parece tolo, mas é pura incompreensão da mais básica formulação de um modelo económico. Uma transação tem custos e benefícios que não são revelados pelo preço.

Não é preciso invadir as tripas dos extremistas de esquerda para ouvir falar disto. Aliás, a sugestão deste fenómeno vem da Escola de Chicago. Se não houvesse custos de transacção, os mecanismos seriam totalmente diferentes. É o próprio Ronald Coase que escreve que o mecanismo de preço é insuficiente e que algum tipo de organização gera benefício geral. Lembre-se que Coase não é um activista do movimento internacional socialista. É, sim, um dos economistas mais referenciados pelas linhas mais libertárias.

Custos ou benefícios sociais, pelas suas naturezas, só podem ser pagos pela sociedade como um todo, caso contrário, sim, geramos ineficiência. Basta aplicarmos isto ao modelo. Pensemos que o custo contabilístico de produzir um carro é um euro e que o custo social, que não entra em contabilidades, é de outro euro. A verdade é que sem um imposto de um euro neste produto, o mercado está fora do equilíbrio. A não inclusão de um imposto de um euro neste produto, ao contrário daquilo em que algumas más interpretações do modelo levam a acreditar, é responsável por perda de bem-estar geral.

 

P.S.: Houve uma correcção na denominação dos custos. No entanto, o argumento geral mantém-se. 

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