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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

O modelo mais simples [3]

Tiago Moreira Ramalho, 01.12.11

Atente-se, no entanto, que há aqui uma nota final a deixar. Imaginemos que há um conjunto de três produtores de vacas. Os três partilham um pequeno terreno onde as vacas comem. Todos têm interesse em produzir mais leite, logo, comprar mais vacas. No entanto, a partir de certo momento, o terreno torna-se demasiado pequeno e o efeito na produção de leite torna-se negativo (as vacas ficam subnutridas, ficando doentes, possivelmente morrendo – vacas mortas, para o caso de haver dúvidas, não produzem mais leite). Como os três querem aumentar o seu bem-estar, vão ter o preciso número de vacas que lhes permite não ter perdas (no fim, nenhum dos dois gera qualquer lucro para si próprio). Se entre eles um contrato fosse assinado impondo que só podem ter um certo número de vacas, todos produziriam mais leite. Claro que se para eles o custo pessoal desse aprisionamento, dessa limitação à acção é um custo tal que supera o benefício gerado, então o contrato não é interessante para as partes e não é feito (esta hipótese não é despicienda).

Claro que a acção do Estado tem a componente adicional de ser imposta aos cidadãos de um modo geral. Mas esta submissão involuntária é apenas mais um custo pessoal. Ainda está por vir um modelo de organização social que permita outsiders (o que seria o mais justo e mais eficiente – pode ser que um dia tenhamos um ‘mercado de nações’). Até lá, e novamente pela simples ordem espontânea, usa-se o modelo que maximiza a utilidade geral. Mesmo que ele leve a que alguns fiquem a perder. O que leva a que a diferença entre libertarianismo e intervencionismo, nisto de deixar gente para trás, resida apenas no grau, nunca na substância.

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