Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Ser e Ter

Bruno Vieira Amaral, 12.12.11

Assisti ao Real Madrid – Barcelona com renovadas esperanças de um golpe de estado futebolístico. No final, tal como os jogadores, adeptos e até Mourinho, estava rendido. Desta vez, não houve ambiente bélico, declarações incendiárias, dedos espetados nos olhos. Houve cortesia, civismo, educação e, para o que o interessa, Barcelona. Mourinho, que viu a sua equipa entrar a ganhar sem saber como, queixou-se da sorte. Mas se a pressão alta do Real Madrid só aguentou trinta minutos, por que razão haveria a sorte de durar noventa? Se Cristiano Ronaldo se ausentou e, no seu lugar, apareceu um rapazito nervoso e assustado com o adversário, por que razão a sorte teria de se manter em jogo até ao fim e, ainda por cima, do lado dos menos competentes? O Real entrou bem, com a energia equídea e militar das equipas de Mourinho, a ânsia de blitzkrieg, a vontade de poder. O Barcelona atrapalhou-se ligeiramente com o erro de Valdés, mas a filosofia de corpo dos catalães manifestou-se logo a seguir nos sucessivos passes para o guarda-redes, obrigando-o a exorcizar o erro de bola nos pés. “Somos o que somos”, pareciam dizer os jogadores do Barça. E o que são impôs-se, minuto a minuto, ao que o Real Madrid quer, e o Real Madrid quer ganhar. É essa a diferença entre as duas equipas: uma é, a outra quer. É a diferença entre identidade e desejo, entre ser e ter. E enquanto o Barcelona continuar a ser, o Real Madrid nunca terá.

4 comentários

Comentar post