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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Consumir faz mal à tola?

Rui Passos Rocha, 12.12.11

Apesar de tudo, não parece que a sociedade de consumo esteja «em iminente desaparecimento», como acredita Bernard Stiegler [1] - que deve estar acompanhado por muitos outros. Mas isso não faz com que tudo esteja bem, inclusive em aspectos que não são muito debatidos.

 

Vamos lendo e ouvindo que desde que o neoliberalismo chegou ao poder não houve apenas crescimento económico, mas também um aumento da desigualdade de rendimentos - chegando mesmo a reduzir o salário médio nos escalões mais baixos enquanto aumentava exponencialmente os rendimentos dos mais ricos.

 

O que não lemos tanto, ou não lemos de todo (falo por mim, até há relativamente pouco tempo), é que desde o início da década de 80 e até ao virar do século a percentagem de pessoas com doenças mentais quase duplicou no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Austrália. Actualmente, entre os países do Ocidente são os países de língua inglesa que têm maior incidência deste tipo de doenças [2].

 

Isto é relevante, mas não torna «claro» que o «capitalismo egoísta, muito mais do que os genes, é extremamente mau para a nossa saúde mental», como defende o psicólogo marxista Oliver James (afinal, nos outros países europeus o aumento da incidência de doenças mentais foi bastante menor). Nem muito menos se extrai daí a certeza de que «altos níveis de doenças mentais são essenciais para o Capitalismo Egoísta, porque pessoas necessitadas e miseráveis tornam-se ávidos consumidores e podem mais facilmente ser workaholics competitivos e perfeccionistas» [2].

 

Uma das coisas que se sabem, contudo, é que as pessoas com um maior número de créditos bancários tendem a ter mais doenças mentais [3]:

 

 

Isto é interessante, mas não significa necessariamente que o maior consumismo faça mal à saúde mental. Por si só, o que parece dizer é que aqueles que recorrem ao crédito para consumir incorrem em encargos financeiros que lhes pesam a ponto de poderem resultar em doenças mentais.

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    RPR 13.12.2011

    Não sei que problemas de saúde está a imaginar, mas parece-me consensual que os problemas mentais após a contracção de dívidas sejam sobretudo devidos à ansiedade causada pela obrigatoriedade de as pagar. Não creio que a pouca racionalidade de alguém que contrai empréstimos sucessivos para os pagar uns aos outros, porque não tem rendimentos suficientes para o fazer, seja um "problema de saúde".
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    Manolo Heredia 13.12.2011

    Os doentes de Asperger têm tendência para se endividarem até ao colapso!
  • Sem imagem de perfil

    Miguel Madeira 13.12.2011

    Por outro lado, suspeito (sem ter feito nenhum estudo sobre o assunto) que os doentes de "perturbação da personalidade esquizóide" se endividem pouco (já que o seu estilo de vida reclusivo e passado essencialmente "dentro da sua cabeça" não deve dar muitas oportunidades para gastar dinheiro). O mesmo para os doentes de "perturbação da personalidade esquiva" (a esses factores, juntar insegurança e medo de correr riscos)

    Ou seja, no global é de esperar que, com umas doenças mentais a puxar para cima e outras para baixo, que ter uma doença mental afecte pouco o endividamento.
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