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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Muito barulho por nada

Vasco M. Barreto, 11.01.12

Irrita-me a emergente guerrilha que, depois de uns 4 anos de relativa tranquilidade, volta a berrar nas colunas de jornal contra o opressor "fascismo higienista". Irrita-me a sua retórica ridícula de derradeiros paladinos da liberdade; irrita-me a sua mitologia, servida por mentiras que fazem de Nova Iorque o novo Gulag e, até prova em contrário, uma cidade sem restaurantes. Reconheço que não é fácil defender uma alteração para uma lei anti-tabaco mais restritiva. Seria uma injustiça para os comerciantes que fizeram investimentos nos seus estabelecimentos por causa da lei anti-tabaco de 2007, a menos que fossem compensados. E uma lei anti-tabaco mais restritiva passaria a ser diferente, no "espírito", da lei que combate a poluição sonora. Admitindo que ninguém - tirando o Doutor Vasco Pulido Valente, fiel à ciência do século XIX - põe em causa que a exposição (passiva) continuada ao fumo do tabaco, tal como a exposição continuada a ruídos acima de uma determinada intensidade, faz mal à saúde, por que motivo devem estas leis ser diferentes? Ora, se nada me escapou na leitura apressada que fiz da lei do ruído, esta protege-nos exclusivamente - ainda que por vezes só em teoria - das agressões sonoras vindas de espaços privados e públicos que podemos evitar, deixando ao cuidado de cada um a decisão de destruir os seus ouvidos e a sua estética dentro de discotecas. Mas, enfim, talvez estejamos mesmo perante uma inércia cultural que parecerá caricata daqui a 50 anos e talvez a lei do ruído não seja um bom termo de comparação, visto que o fumo consumido de forma passiva por causa de um prazer alheio é a terceira causa de morte evitável, logo a seguir ao fumo consumido de forma activa e ao álcool. Convenhamos que a surdez não mata e, com o alarido que anda por aí, até deve consolar. 

 

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    RPR 11.01.2012

    Tem toda a razão. É estúpido o proprietário de um restaurante adaptá-lo à lei do tabaco só porque se arrisca a pagar multas ou a ter de fechar caso não o faça.
  • Sem imagem de perfil

    Luís Lavoura 11.01.2012

    Não se arrisca nada a pagar multas - proíbe o fumo no seu local e prontos. É o que a grande maioria dos proprietários, acauteladamente, fez. Não foram estúpidos como os pirosos que se puseram a instalar máquinas de ar condicionado que, como é evidente, e como aliás eles foram avisados, são totalmente ineficazes.
  • Sem imagem de perfil

    RPR 11.01.2012

    Se a maioria dos proprietários proíbe o tabaco, talvez não seja estúpido que a minoria prefira pagar umas coisas para que seja possível aos fumadores lá irem à vontade. Apostar em nichos de mercado não é lá muito piroso.
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