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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Galináceos livres

Tiago Moreira Ramalho, 13.01.12

Sendo possivelmente, junto do porco, o animal com a pior imagem na mente colectiva, é difícil pensar em direitos fundamentais para galinhas. As galinhas são as aves tristes que não voam, são as aves mortas que correm, são as barulhentas parideiras de ovos para as nossas tartes e gemadas. Ainda assim, pessoas como Peter Singer ocupam décadas das suas vidas a defender o direito destes animais a esticar as asinhas. E a preocupação gerou frutos: é, a partir deste ano, proibido manter as galinhas nos tradicionais galinheiros que as empilham nas tantas explorações agrícolas por essa Europa fora.

Para muitos parecerá tique moderninho. Será até considerado por muitos uma lei iníqua, porquanto obrigará a um aumento nos custos de produção de ovos e, por isso, em aumentos de preços. No entanto, pensar no bem-estar animal é tão extravagante como pensar no bem-estar dos negros ou das crianças. Também se poderia pensar nos defensores dos negros ou das crianças como patetas ou até acusá-los de provocarem aumentos nos preços, mas não o fazemos. A verdade é que estas mudanças de avaliação derivam da percepção do custo social de cada um dos casos. Escravos produzem bens mais baratos, mas a sociedade dá mais valor à liberdade. Galinhas que não se mexem produzem ovos mais baratos, mas parecemos dar mais valor ao seu bem-estar. Estamos mais humanos? Nem por isso. Estamos simplesmente diferentes. 

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