Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Galináceos livres

Tiago Moreira Ramalho, 13.01.12

Sendo possivelmente, junto do porco, o animal com a pior imagem na mente colectiva, é difícil pensar em direitos fundamentais para galinhas. As galinhas são as aves tristes que não voam, são as aves mortas que correm, são as barulhentas parideiras de ovos para as nossas tartes e gemadas. Ainda assim, pessoas como Peter Singer ocupam décadas das suas vidas a defender o direito destes animais a esticar as asinhas. E a preocupação gerou frutos: é, a partir deste ano, proibido manter as galinhas nos tradicionais galinheiros que as empilham nas tantas explorações agrícolas por essa Europa fora.

Para muitos parecerá tique moderninho. Será até considerado por muitos uma lei iníqua, porquanto obrigará a um aumento nos custos de produção de ovos e, por isso, em aumentos de preços. No entanto, pensar no bem-estar animal é tão extravagante como pensar no bem-estar dos negros ou das crianças. Também se poderia pensar nos defensores dos negros ou das crianças como patetas ou até acusá-los de provocarem aumentos nos preços, mas não o fazemos. A verdade é que estas mudanças de avaliação derivam da percepção do custo social de cada um dos casos. Escravos produzem bens mais baratos, mas a sociedade dá mais valor à liberdade. Galinhas que não se mexem produzem ovos mais baratos, mas parecemos dar mais valor ao seu bem-estar. Estamos mais humanos? Nem por isso. Estamos simplesmente diferentes. 

3 comentários

  • Caro Nelson,

    No século XVI, os negros não eram «seres humanos». Ou, sendo, isso era pouco relevante. Brancos e negros eram dois «conceitos bem separados». No século XIX, o trabalho da criança era tão natural como o trabalho do adulto, «conceitos» que, na altura, ainda não estavam «bem separados».
    Hoje parece-nos extravagante. Daqui a um par de séculos, provavelmente, o que parecerá extravagante é a actual extravagância da coisa. Digo eu, que de astros não entendo nada.
  • Sem imagem de perfil

    Luís Lavoura 13.01.2012

    George Washington descreveu os índios (os americanos nativos) como sendo "lobos sob uma pele humana", dessa forma justificando que eles deveriam ser tratados como animais, mais especificamente como lobos, ou seja, que deveriam ser mortos.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.