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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Cavaquinho

Bruno Vieira Amaral, 24.01.12

O Professor Cavaco tem uma nítida falta de jeito para a comunicação oral. Como todos os bons políticos, fez desta fraqueza uma força. Especializou-se em tabus e silêncios esfíngicos que os incautos tagarelas normalmente tomam por sabedoria. Uma vez mais, ao querer mostrar-se solidário com o sacrificado povo português, Cavaco achou por bem travestir-se de um deles e, em presidencial metonímia, chorar as suas dores financeiras como as dores de todo um país. O povo é que não gostou da figura de estilo ou, no caso, da figura de parvo de um presidente a tomar por parvos os seus concidadãos. Exagero, dizem uns. Outros afirmam que isto é a vingança das elites contra o filho do gasolineiro. Ora, se considero infame que se ataque o homem por causa das suas origens, não considero menos infame que se lhe defendam as burrices com o mesmo argumento. Cavaco, político experimentado, sabe que, em política, os deslizes e as incorrecções, mesmo que verbais, têm um preço. Um Presidente, seja filho de gasolineiro, filho de Deus ou filho da puta, não se pode queixar em público da vidinha quando tem milhares de euros no banco e rendimentos declarados de 149 mil euros. Não pode. Havia muitas maneiras de Cavaco se solidarizar com os portugueses. Fazer-se de desgraçado era a mais imbecil e imoral de todas. Foi essa que Cavaco escolheu.

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