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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Pequenos ajustamentos

Rui Passos Rocha, 07.02.12

Depois de Rajoy ter mexido na lei do aborto espanhola "para preservar o direito à vida", eis que Passos Coelho e companhia se dizem dispostos a preparar um "balanço" da lei portuguesa para, quiçá, fazer-lhe "pequenos ajustamentos".

 

Dado o forte peso do sim ao aborto legal, esses ajustamentos provavelmente não serão a desvirtuação da lei, mas a imposição do pagamento pela interrupção da gravidez: talvez em abortos seguintes ao primeiro, talvez mesmo em todos. O que pode ser problemático, já que boa parte de quem aborta ou não tem dinheiro para contraceptivos ou condições para acrescentar mais um à família.

 

Mas pode ser que os ajustamentos pensados venham a ser de outro tipo, inspirados pela humanista doutrina cristã. Nesse caso deixo aqui algumas notas, retiradas daqui e daqui:

 

- A percentagem de abortos por país é sensivelmente a mesma quer eles sejam legais ou ilegais;

 

- Os dados sugerem que a melhor forma de reduzir essa percentagem não é tornando o aborto ilegal mas fazendo com que haja mais contraceptivos à disposição;

 

- Entre 1996 (quando legalizou o aborto) e 2007 a África do Sul viu baixar em 90% a taxa de mortalidade de mulheres que abortaram;

 

- A percentagem de abortos é especialmente grande em Cuba, devido aos poucos métodos contraceptivos. Em 1990 foram 33% as adolescentes que abortaram;

 

- No Uganda, onde o aborto é ilegal e se incentiva à abstinência, a taxa de abortos foi de 54/1000 em 2003, mais do dobro dos Estados Unidos e quase o quíntuplo da Europa Ocidental.

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