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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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É difícil ser liberal em Portugal II

Priscila Rêgo, 12.04.12

E é em parte por culpa própria. A Helena Matos, por exemplo, acha estranho que os técnicos da OCDE recomendem a contextualização de resultados das escolas tendo em conta o ambiente sócio-económico dos alunos.

 

Claro que o texto original do Sol é ambíguo. Não se percebe muito bem o que é que deve ser contextualizado nem para que efeitos, mas a formulação da própria Helena Matos dá a entender que a ideia é simplesmente ponderar os resultados obtidos por cada aluno pelo seu background sócio-económico, para assim inferir melhor a verdadeira qualidade das escolas em causa. 

 

Dito assim, parece uma recomendação razoavelmente banal. Certamente que a Helena Matos não defende que a qualidade dos médicos do falecido João Paulo II devia ser avaliada através do estado de saúde do anterior Papa. O que conta é o valor acrescentado do serviço, que implica deduzir ao output (a saúde) os inputs relevantes (a saúde do Papa antes de ser tratado pelos médicos). Contornar esta "contextualização" é como avaliar a qualidade do cabeleireiro da Helena Matos através daquilo que vemos nas suas intervenções televisivas. Não se faz. 

 

Por muito que em termos práticos este ajustamento seja difícil de fazer, mesmo um método imperfeito é melhor do que método nenhum. E não é preciso entrar em econometria (embora isso fosse provavelmente o ideal). Uma forma possível, gizada às duas da manhã e que apresento sem aqui sem compromisso, é utilizar testes standard para avaliar o grau de conhecimento dos alunos quando entram numa escola e o nível de capacidades que têm à saída. Esta informação não deveria ser usada para ajustar resultados dos alunos, mas ser parte integrante da avaliação das escolas - e, por conseguinte, dos professores. 

 

Leitura recomendada: Socialismo involuntário à direita, pelo Alexandre Homem Cristo.

 

   

7 comentários

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    Pedro 12.04.2012

    Luis Lavoura, acredite que os portugueses adoram testes de cruzinhas. Tem uma componente subjectiva que os portugueses adoram, a maior de todos: a sorte. Eu acho que os miúdos, particularmente, iriam adorar.
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    Luís Lavoura 13.04.2012

    Não acho que os portugueses adorem a sorte mais do que qualquer outro povo.
    A cultura portuguesa é essencialmente católica e rege-se pelo princípio de que toda a norma pode ser violada, desde que haja uma justificação adequada para isso. (É a lógica das "circunstâncias atenuantes" numa condenação.) Nessa lógica, a explicação para uma determinada resposta conta imenso. Ou seja, o professor, independentemente de a resposta do aluno estar certa ou errada, deseja analisar e ponderar as circunstâncias, raciocínios e feelings que o aluno utilizou para chegar a essa resposta, e depois dá uma classificação consoante gosta ou desgosta desses raciocínios. Como é evidente, uma tal classificação tende a ser altamente subjetiva (a começar pelo facto de que, muitas vezes, o professor não consegue compreender o raciocínio do aluno). Por isso, embora os portugueses detestem testes de cruzinhas, a mim parece-me que eles são essenciais se se pretende obter uma qualquer avaliação minimamente rigorosa do progresso dos alunos.
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    Pedro 15.04.2012

    Luis Lavoura tem um teste de cruzinhas assim: Qual é o simbolo quimíco do cádmio:
    a) Ca
    b) Cd
    c) Pb

    Até uma criança de um ano com um lápis na mão tem grandes hipóteses de acertar.
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    Luís Lavoura 16.04.2012

    É verdade. Em todos os testes, sejam eles de cruzinhas ou não, pode-se fazer perguntas fáceis ou perguntas difíceis.
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    Pedro 16.04.2012

    Não percebeu. Em qualquer teste de cruzinhas, sem excepção, uma criança pode acertar. No caso, uma criança de um ano pode revelar-se um sobredotado da quimica. Obviamente, se a pergunta fosse, simplesmente, "qual o simbolo quimico do cádmio", outro galo cantaria. Ai é preciso mesmo... saber. O teste das cruzinhas é um apelo à preguiça e ao confiar na sorte, o mais subjectivo dos factores.
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    Miguel Madeira 16.04.2012

    Comvem lembrar que nas versões mais radicais dos "testes de cruzinhas", uma resposta certa conta 1 valor e uma resposta errada conta -0,5 valores (numa questão com 3 perguntas, como no exemplo). Ou seja, é quase impossivel ter um bom resultado por pura sorte - uma pessoa que responda ao acaso terá, em média, zero valores.
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