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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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A primeira vela

Tiago Moreira Ramalho, 27.06.12

Na Comissão de Orçamento e Finanças, Honório Novo pede defesa da honra da bancada a que pertence quando Michael Seufert e Vítor Gaspar resumem as consequências das propostas comunistas na elementar bancarrota portuguesa. Ao mesmo tempo, o cada vez menos verosímil António José Seguro, com punho a meia haste, condena o governo de arrastar o país para uma situação insustentável. Um governo eleito há escasso ano atrás e cuja principal missão foi a implementação de um Acordo de Estabilização Económica (é bom regressar às antigas designações, tão cá de casa). A insustentabilidade portuguesa, essa, resume-se a um desvio orçamental, naquele que é o período de maior incerteza da economia portuguesa das últimas décadas, e a um inevitável aumento do desemprego. Uma «insustentabilidade» de um modo geral bastante previsível.

Razão tem António Barreto (como de costume, aliás). Nestas alturas não há nada como ouvir gente que por cá anda a gastar estradas há tempo suficiente e cuja memória não morre nem pode matar. E o que diz António Barreto é confrangedoramente simples: todos sabíamos o que ia acontecer. Há um ano, quando o Acordo foi assinado, sabíamos que íamos ter anos sem crescimento. Sabíamos que, tal como no passado, íamos ter desemprego, cortes de despesas, aumentos de impostos. E espantoso no meio de tudo isto é a surpresa geral cada vez que há uma variação decimal de cada indicador. Isso e as «desonras», as «insustentabilidades» e restante folclore resultantes de esquecimento, ignorância ou fundamental desonestidade.

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