Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012
Priscila Rêgo

O Estado não pode subir impostos para cortar o défice, tem é de cortar na despesa.

 

Porquê?

 

Porque subir impostos corta rendimento. Aprofunda a recessão.

 

Mas cortar despesa também. As pensões são despesa pública e rendimento de quem as recebe.

 

Mas eu falo da despesa da máquina do Estado, não é a despesa das pessoas.

 

Mas a máquina consome basicamente salários e bens e serviços, que também é rendimento dos funcionários públicos e das empresas.

 

Ah, mas eu falo da despesa supérflua: fundações, institutos...

 

Mas as fundações e institutos também fazem despesa em pessoas e bens e serviços. O dinheiro não é atirado ao mar.

 

Claro, mas se fecharmos fundações estamos a libertar recursos para o sector privado.

 

Sim, mas o efeito é o mesmo: aprofunda a recessão. São pessoas sem emprego e bens e serviços sem procura. No curto prazo, ninguém vai pegar nesses recursos.

 

Sim, sim, mas o Estado aprende a poupar no desperdício.

 

Mas isso também é válido para a subida de impostos. As pessoas não começam por cortar na comida. Vão ao desperdício.

 

Claro.

 

E então?

 

...

 

Hum?

 

Mas se aumentarmos impostos, estamos a retirar rendimento às pessoas.

 

 

 

 


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21 comentários:
De João Maria Corrêa Monteiro a 12 de Setembro de 2012 às 18:53
No curto-prazo este diálogo é verdade.
No longo-prazo, os recursos reorganizam-se.

Se alguma vez portugal for capaz de acabar com o estado-glutão, então as pessoas que são forçadas a sair da função pública, no longo-prazo, vão re-entrar no mercado de trabalho noutros sectores.... não é?!

by the way, parabéns! bom blogue!


De manuel.m a 13 de Setembro de 2012 às 00:29
Não ,não é : O desemprego torna-se-ia estrutural ,as finanças nacionais ,a falta de investimento externo e a globalização tratarão que assim seria ,o que seria mau , a menos que se ache que seria "virtuoso" ter uma pool de trabalhadores no desemprego permanente na ordem de pelo menos os 15% actuais ,puxando continuadamente os salarios para baixo .


De J. Saro a 13 de Setembro de 2012 às 01:57
O desemprego tornaria-se estrutural, porquê? É uma questão de tendência nas sociedades?

Pergunto isto porque não vejo isso como uma consequência necessária. Desempregados podem vir a tornar-se profissionais liberais, por exemplo.

Supondo, academicamente, que a atractividade e barreiras para entrada de novas empresa ou actividades liberais não diminuem, não compreendo essa consequência.

Pelo menos, imaginando uma situação extrema (mesmo incluindo diminuição de emprego privado): desemprego em torno de 40%. Supondo que as empresas e Estado não têm capacidade para as empregar, essas pessoas não terão necessidade de produzir e de ter novas actividades. Ou as barreiras para iniciarem essa produção são assim tão elevadas?


De manuel.m a 13 de Setembro de 2012 às 07:40
Essas pessoas então ,como em 1930 ,teriam a necessidade de um New Deal ,ou seja um programa maciço de investemento público .Consegue imaginar isso possivel em Portugal nas proximas décadas ? Contar com a iniciativa individual para fazer a Economia saír da Depressão (porque é disso que se trata ) não é optimismo , é acreditar em milagres !


De J. Saro a 13 de Setembro de 2012 às 15:16
Mesmo sem New Deal. Exemplo, embora de uma situação específica:

http://www.tvi.iol.pt/videos/13696221

Jovem designer desempregado em greve de fome até ter um emprego. Tem uns trabalhos em freelancer, mas não é explícito que tenha sido mesmo uma aposta.

A minha questão é: desconhecendo a realidade do mercado de designers (de trabalho e de mercado do produto/serviço), ele não tem condições de criar o seu próprio emprego? Na área dele, até é possível sem grande investimento... fazendo-o como freelancer.

Senão dá mesmo para viver como sugere, talvez seja a área dele que não suporta tanto designer ou a qualidade do seu trabalho pode não ser tão boa para se tornar viável.

A minha questão académica: se todos tiverem esta perspectiva, nunca vai haver emprego pela via privada, já que não vai haver iniciativa. Ou seja, apenas o Estado estaria em condições de empregar. Fora um estado socialista, esta realidade é impossível. Logo, o desemprego teoricamente não me parece que seja alguma vez estrutural pois ele poderia criar a necessidade de criar o seu próprio emprego sem New Deals.

Atenção que falo sem conhecimentos de outros impactos, dado que estou a supor barreiras à entrada da iniciativa privada (inclui aqui profissionais liberais) não seja elevada de forma a permitir esta iniciativa. Apenas desconfio dessa hipótese que o desemprego é estrutural.



De Luís Lavoura a 13 de Setembro de 2012 às 09:52
então as pessoas que são forçadas a sair da função pública, no longo-prazo, vão re-entrar no mercado de trabalho noutros sectores

Num mundo ideal seria assim. No mundo real, não é.

No mundo real, muito desemprego, sobretudo de pessoas de meia idade, torna-se estrutural. Pessoas de 50 anos de idade que caem no desemprego dificilmente voltam a arranjar emprego.


De Pedro a 13 de Setembro de 2012 às 14:23
É pois! E no entretanto, as pessoas que são forçadas a sair da função pública entram em hibernação. Gosto destas análises super-macro siderais. Mais um exemplo: No longo prazo, as pessoas que agora não têm dinheiro para tratamentos médicos desenvolvem sistemas imunitários perfeitos e resistência aos choques traumáticos. É tudo uma questão de ter paciência.


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