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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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O roubo como fonte de progresso

Tiago Moreira Ramalho, 01.05.10

O sr. Gago, ministro de Portugal, defendeu, algures no estrangeiro, que a pirataria é uma fonte de progresso. Assegura, o ministro, que a pirataria levou, e, supõe-se, continua a levar, anónimos ao estrelato, do que se retira que está tudo bem. Não, não está.

Mesmo que a pirataria tenha sido fonte de progresso (não é líquido que tenha sido, no entanto, assumamos que sim, para facilitar), a questão é que o «progresso», ou um certo tipo de «progresso», ao contrário do que o sr. Gago, ministro de Portugal, parece pensar, não é um valor absoluto.  Se para que haja «progresso» tenham de se cometer injustiças, como permitir que se roube via Internet, então não sei se é esse o tipo de «progresso» que a humanidade precisa. Não há diferenças substantivas entre roubar um filme através da Internet ou roubar um filme numa loja especializada. Podem dar o pino, que não encontram uma única diferença em termos éticos. Será que o sr. Gago está a sugerir que roubar filmes e discos compactos em lojas especializadas é fonte de progresso? Parece que sim. E por indução, será que o sr. Gago está a sugerir que o roubo tout court é fonte de progresso? É que ao roubarmos vinho do Porto, podemos começar a compreender-lhe as qualidades e a valorizá-lo mais. E isto prolonga-se por todos os produtos que o querido leitor possa imaginar. No limite, o sr. Gago está a defender que o caminho do «progresso» é um estado de natureza todo ele hobbesiano, em que, cada um por si, rouba propriedade alheia para que possa «progredir». Ou então é apenas idiota.

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