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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Livros e Leitores

Tiago Moreira Ramalho, 15.05.10

Fui enganado, leitor. Ontem, ou anteontem, perdoe-se-me a falta de rigor, passei numa pequena tabacaria para adquirir uma revistinha que compro todos os meses. «Era a Ler, se faz favor». Foi assim. Passaram-me para a mão uma coisa que, à primeira vista, me parecia a Ler e lá desembolsei os habituais cinco eurinhos. Depois, no comboio, folheei-a e, do vernáculo que assustou quem me rodeava, posso resumir o simples desgosto por ver que mudaram, bem modernos, o grafismo da revista. E o leitor pergunta-me de imediato: «então e mudaram para melhor?». Ó leitor, não seja idiota, se tivesse mudado para melhor, eu não estaria aqui e agora neste pranto, mas sim a ver as fotos da professora primária que não se fica com a história das cegonhas. Claro que não ficou melhor. Está feio. Os títulos estão monstruosos, o tamanho da letra do corpo parece – não sei se é apenas impressão – menor e está tudo desorganizado. A passa no topo do bolo rijo é que a crónica Pastoral Portuguesa, que estava logo ao início, foi relegada para o meio. E todos sabemos o que significa o meio. O meio é o lugar rasteiro por excelência. Os grandes ou têm o princípio ou o fim, para começar ou terminar em beleza. A fruição de uma publicação em papel não pode ser definida por uma curva de Gauss ou coisa que o valha.

Enfim, um horror, um horror, um punhal que me enfiaram em qualquer lado – não me apetece ser dramático, pelo que não vou detalhar nem prosseguir com esta linha. Por favor, que se volte à coisa antiguinha, com as «calhas» coloridas nas páginas, com os ensaios todos pipis ilustrados pelo Pedro Vieira, com a Pastoral no princípio, tudo como dantes. Há certas coisinhas que, ou bem que se mantêm, ou perdem todo o interesse.